CGN
Acesse aqui o Discover e busque as mais lidas por mês!

Com Fed, Ibovespa sobe 2,42%, aos 129,4 mil, e se reaproxima de recorde

Em suma, a leitura do mercado, ante as indicações desta tarde do Fed, é de que os juros na maior economia do mundo, de fato, já...

Publicado em

Por Agência Estado

Publicidade

Acompanhando Nova York, o Ibovespa começou a buscar máximas para a sessão ainda aos primeiros sinais do aguardado comunicado sobre a decisão de política monetária do Federal Reserve, às 16h. Conforme esperado, o BC americano manteve, em decisão unânime, a taxa de juros de referência na faixa de 5,25% a 5,50% ao ano. E o gráfico de pontos, mais aguardado do que o próprio comunicado, mostrou que 15 dirigentes do Fed veem juros entre 4,25% e 5% em 2024 – e que a maioria dos dirigentes espera juros entre 3% e 4% até o fim de 2025.

Em suma, a leitura do mercado, ante as indicações desta tarde do Fed, é de que os juros na maior economia do mundo, de fato, já passaram do ponto mais alto do ciclo de elevação dos custos de crédito e, para frente, tendem a ser acomodados em níveis mais compatíveis ao apetite por risco – ou seja, haverá cortes na taxa de referência dos EUA, logo adiante, como antecipava o mercado. De acordo com dados da CME, o mercado vê agora 76,1% de chance de que o Federal Reserve iniciará cortes de juros já em março de 2024.

O resultado ficou evidente tanto em Nova York como em São Paulo, com o Ibovespa chegando aos 129.793,35 pontos na máxima da sessão, maior nível intradia desde 23 de junho de 2021, então aos 129,9 mil. A acentuação de ganhos prosseguiu com a fala do presidente do Fed, Jerome Powell, a partir das 16h30, em que os sinais ‘dovish’ acabaram prevalecendo na leitura do mercado. Ao fim, o índice ainda mostrava ganho de 2,42% na sessão, aos 129.465,08 pontos, maior nível de fechamento desde 24 de junho de 2021, então aos 129.513,62 pontos. O giro ficou em R$ 60,6 bilhões, em dia de vencimento de opções sobre o Ibovespa, o que alavanca o volume da sessão.

Com o desempenho de hoje, o Ibovespa passa ao positivo na semana (+1,87%) e também no mês (+1,68%), colocando os ganhos do ano, até aqui, em 17,98%. Em outro desdobramento importante, o forte desempenho desta quarta-feira – o maior ganho em porcentual para o índice desde os 2,70% de 3 de novembro – reaproxima o Ibovespa de suas máximas históricas, de 7 de junho de 2021: então aos 130.776,27 no fechamento, tendo chegado durante a mesma sessão aos 131.190,30.

Superada a expectativa para os sinais do Fed, em que o mercado tomou nota quanto ao reconhecimento, por Powell, de enfraquecimento do ritmo de atividade após o terceiro trimestre, os investidores voltam a atenção para o que virá nesta noite, no comunicado do Copom sobre a decisão de política monetária. A expectativa de consenso é por novo corte de 0,50 ponto porcentual na Selic, o que traria a taxa de juros de referência no Brasil de 12,25% para 11,75% ao ano.

“Estamos com a curva de juros em um dos patamares mais baixos do ano, o que, na minha visão, reflete aposta dos investidores de que a gente pode ter alguma mudança de direcionamento por parte do BC quanto ao ritmo de corte dos juros. Tivemos ontem leitura de inflação abaixo do esperado, e há outros fatores que podem contribuir para a manutenção disso, como a recente queda do petróleo e a atividade econômica também em desaceleração”, diz Felipe Moura, sócio e analista da Finacap Investimentos. “Uma surpresa positiva do Copom nesta noite seria excelente impulso para o mercado de ações.”

“Nos Estados Unidos, a economia se mantém forte na geração de vagas de trabalho, mas os dados de atividade têm se mostrado mais estáveis, após uma volatilidade no terceiro trimestre, entre força e arrefecimento, um comportamento errático que acabou culminando naquela forte alta nos rendimentos dos Treasuries longos. Mas a partir de novembro, o CPI (índice de inflação ao consumidor) tem estado em linha com o esperado e os dados de atividade têm vindo mais fracos, consistentemente”, acrescenta o analista, referindo-se à percepção que tem prevalecido desde então, de que o ciclo de alta de juros nos EUA foi concluído pelo Fed e há cortes por vir.

Como de hábito, as palavras de Jerome Powell, na entrevista coletiva após a divulgação do comunicado, buscaram equilíbrio, seguindo o mantra de que o BC americano continuará a agir com cautela, baseado nos dados. Ainda assim, ele reconheceu ter havido um abrandamento substancial do ritmo de atividade no país, após o terceiro trimestre. “Os dados mais baixos da inflação ao longo dos últimos meses são bem-vindos, mas precisaremos de mais evidências para aumentar a confiança de que a inflação está se reduzindo de forma sustentável em direção ao nosso objetivo”, acrescentou o presidente do Fed.

Apesar de ter procurado não descuidar do cravo e da ferradura, a fala de Powell reforçou a animação do mercado, que já aflorava meia hora antes do início da entrevista do presidente do Fed, na divulgação do comunicado e das projeções da instituição, no gráfico de pontos.

“O sumário de projeções econômicas trouxe a perspectiva de que os juros vão cair nos Estados Unidos mais do que previsto inicialmente. Os índices futuros também viraram bem para o positivo, com essa sinalização de que o afrouxamento monetário está cada vez mais próximo. A grande questão é saber quando terá início: o mercado está precificando que já a partir de março”, aponta Enzo Pacheco, analista da Empiricus Research.

Destaque na B3 para as ações de grandes bancos, com Itaú (PN +3,03%), Bradesco (ON +3,46%, PN +4,37%) e Santander (Unit +3,18%) à frente do segmento na sessão. Na ponta do Ibovespa, ações com exposição a juros e ao ciclo de atividade doméstico, como as de varejo (Magazine Luiza +10,96%) e construção (MRV +8,23%). O índice de consumo (ICON) encerrou em alta de 4,16% a sessão, bem à frente do índice de materiais básicos (IMAT), que reúne os papéis associados a commodities, em alta de 1,57% no fechamento. Petrobras ON e PN subiram hoje 1,33% e 1,44%, com Vale ON quase sem variação (+0,01%).

Apenas quatro das 86 ações da carteira Ibovespa fecharam o dia em baixa: SLC Agrícola (-0,82%), IRB (-0,76%), BB Seguridade (-0,51%) e Eztec (-0,27%).

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

AVISO
agora
Plantão CGN