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Futebol: gramado nos estádios vira tema de debate no Brasil e no mundo

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© Vítor Silva/Botafogo/Direitos reservados

Por CGN

O desempenho incomodou e, então, teve início um movimento entre os clubes, liderados pelo então presidente do Vasco Eurico Miranda, para que todos os gramados da Série A fossem naturais. No entanto, na reunião do Conselho Técnico de Clubes, em fevereiro de 2018, o clube paranaense conseguiu a adesão de outros times participantes do Brasileirão e garantiu votos suficientes para que a grama sintética fosse aceita. 

 “É sabido que na grama sintética o impacto nas articulações é maior, a bola corre mais rápido e isso exige mais do atleta, nos aspectos metabólico e físico. Por conta disso, a recuperação no pós-jogo demanda mais tempo”, ressalta o médico. 

Já o fisioterapeuta Antonio Ricardo, que trabalhou na Copa da Alemanha (2006) com a seleção do Japão, faz uma alerta.

“O atleta precisa adequar o treinamento ao piso, para se adaptar ao máximo ao controle da bola e à velocidade da partida. Com isso, ele minimiza a possibilidade da lesão”. 

O jornalista Tim Vickey, da BBC de Londres, lembra que, quando jovem, viu muitos jogos da Premier League, o Campeonato inglês, serem disputados em “lama total”.

“Era lastimável, principalmente no período de novembro a março”, recorda Vickey. 

Mesmo assim, os ingleses não buscaram a solução na adoção da grama sintética, mas sim na profissionalização do cuidado com os gramados.

 “Bastou contratarem profissionais, adotar tecnologia, e os campos viraram tapetes. Se lá foi possível, porque não aqui, com condições climáticas bem mais favoráveis? Basta que se adote o bom estado do gramado como uma prioridade para o espetáculo”, defende o jornalista britânico.

Em tese, o campo do Maracanã possui 90% de gramado natural e 10% de fibras sintéticas, mas esse percentual varia de acordo com o crescimento da grama –  CBF/Divulgação/Maracanã

O Maracanã adota a grama híbrida. Em tese, o campo possui 90% de gramado natural e 10% de fibras sintéticas, mas esse percentual varia de acordo com o crescimento da grama. No processo de mudança do piso, foram colocados 30 centímetros de areia e  neles foram plantados os estolões (tipo de caule) de grama natural, da variedade Bermuda Celebration (espécie com tolerância a ser pisoteada e rápida regeneração), já cultivada em fazendas na Região dos Lagos, no estado do Rio.  Após 50 dias de adubação, irrigação e corte, com o campo já todo verde, uma máquina holandesa foi adquirida para “costurar” o gramado. As 180 agulhas injetaram a fibra sintética, a cada dois centímetros de extensão e a 18cm de profundidade, o que garante mais resistência ao campo. 

O ortopedista José Luiz Runco, campeão do mundo com a seleção no Mundial do Japão e da Coreia do Sul (2002), acredita que o gramado híbrido é melhor alternativa.

 “Para mim, o gramado híbrido será a grande solução para o futebol, pois ele permite um futebol de qualidade, com menos exposição do atleta às lesões”. 

Insatisfeito com o atual cenário, o goleiro Romero, do Boca Juniors ( Argentina), não vê a hora de uma solução definitiva ..

Fonte: Agência Brasil

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