
Homem que sobreviveu à violência decidiu estudar Medicina aos 39 anos e hoje atende no SUS de Curitiba
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Por CGN

Celebrado nesta quarta-feira (18/10), o Dia do Médico é o primeiro – depois de formado – de Picasso Rodrigues, profissional do Sistema Único de Saúde (SUS) de Curitiba. Tem significado especial porque marca a superação de um drama pessoal e reafirma uma escolha que deu novo rumo à vida.
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“Sinto que estou no meu lugar”, diz Rodrigues, que trabalha na Unidade de Saúde Parque Industrial e nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Boa Vista e Sítio Cercado – ele divide a jornada entre a Prefeitura de Curitiba e a Fundação Estatal de Atenção à Saúde (Feas).
Em 2010, quando vivia em Maringá, Rodrigues foi vítima de um assalto e agredido. Ferido, foi abandonado em um canteiro de obra. O rosto estava desfigurado, um quadro de politraumatismo facial que mostrava a violência do ataque. Internado, ele foi submetido a 22 cirurgias e passou três meses no hospital.
Rodrigues dá a impressão de que não se incomoda em tocar no assunto.
“Isto poderá ajudar outras pessoas a perceberem que, por pior que as coisas estejam, há como mudar e ressignificar nossas vidas”, afirma o médico, que transformou os acontecimentos em estímulo para buscar, aos 39 anos, o sonho de infância.
Transferência
Foram anos de preparação e mudanças de cidade até ser transferido para a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), em Curitiba, em 2018. Além dos conhecimentos, foi ali, na residência em Otorrinolaringologia, que Rodrigues recuperou parte de sua autoestima: as colegas fizeram uma longa cirurgia de reconstrução facial, em 2022.
Formado no final do ano passado, o médico fala com orgulho de sua rotina. “Na unidade de saúde, atendo a todos os públicos, há muitos idosos com hipertensão e diabetes. Nas Upas, atendo urgências e emergências, área na qual estou me especializando”, conta o médico, aos 52 anos, que já coleciona histórias dos plantões.
Parto
Um desses casos aconteceu na Santa Casa de Palmeira. “Uma moradora de Curitiba viajou para Foz do Iguaçu com 39 semanas de gestação. Na volta, entrou em trabalho de parto no ônibus. Levada para o hospital, avaliei que não havia tempo para ela seguir até Ponta Grossa. Fiz o parto. O menino se chama Enzo”, relata Rodrigues.
O médico ainda tem sequelas daquela agressão em um dia que tinha saído para festejar a promoção na empresa de telefonia em que trabalhava. Perdeu parte da audição do ouvido esquerdo e da visão. O olfato e o paladar se foram. As dificuldades não parecem abalar sua convicção. “Nada teria sentido se eu não fosse médico”, conclui Rodrigues.
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