Melhora externa anima, mas político, commodities e Embraer ficam no radar

Em frente ao Alvorada, em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro surpreendeu ao aparecer acompanhado dos ministros Tarcísio de Freitas (Infraestrutura), Paulo Guedes (Economia) e Tereza Cristina...

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Por Agência Estado

Notícias de afrouxamento do isolamento social em alguns países após a adoção da quarentena por conta da pandemia do novo coronavírus estimulam a busca por ativos de risco no exterior e o Ibovespa também aproveita para recuperar um pouco as perdas recentes. Além disso, sinais de sintonia no governo brasileiro amparam a expectativa de calmaria no mercado doméstico, mas com o investidor sem tirar os olhos da crise política, conforme os entrevistados.

Às 10h54, o Ibovespa subia 2,46%, aos 77.260,53 pontos.

Em frente ao Alvorada, em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro surpreendeu ao aparecer acompanhado dos ministros Tarcísio de Freitas (Infraestrutura), Paulo Guedes (Economia) e Tereza Cristina (Agricultura), além do presidente do Banco Central (Roberto Campos Neto). Todos falaram com a imprensa.

A atitude é bem vista por analistas já que a saída de Sergio Moro, do Ministério da Justiça, na sexta-feira, reforçou especulações de que o próximo a deixar o governo seria Paulo Guedes, que é tido por muitos como essencial na equipe econômica.

“Perdeu o Moro e, aí, cresceu o temor de o governo ficar em o Guedes, também, que seria desfavorável. Claro que a saída de Moro não é boa, porém, o Guedes é bem importante no governo, e ele quer as reformas, quer dar andamento nessa agenda”, descreve o estrategista-chefe da Levante Ideias de Investimentos, Raphael Bevilacqua.

O ministro da Economia disse que a “política econômica segue a mesma”, que o governo prosseguirá com as reformas. Já a ministra da Agricultura, cujo nome também chegou a ser mencionado como um possível a deixar o governo, afirmou que o abastecimento no País está funcionando normalmente neste período de avanço do novo coronavírus. “Mostra que o setor produtivo continua operando, ainda que em menor velocidade”, diz Bevilacqua.

“É uma tentativa de jogar água fria nessa situação caótica, de acalmar o mercado, principalmente o dólar, para que o dia comece razoavelmente bem. O presidente dizendo que quem manda é o Guedes, alivia. Há o compromisso com as reformas”, diz o economista-chefe do ModalMais, Álvaro Bandeira. Bolsonaro disse que o economista é o único homem que decide sobre a economia do País em seu governo.

No entanto, a crise política segue no radar, bem como o recuo das commodities no mercado externo, que limitam os ganhos e podem provocar instabilidade na B3. “O exterior ajuda o Ibovespa a subir, mas podemos ter muita volatilidade. Aqui, teremos a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a investigação”, diz Luiz Roberto Monteiro, operador de mesa institucional da Renascença.

Ao anunciar que deixaria o cargo, Moro acusou Bolsonaro de interferência política na Justiça. Já o presidente afirmou que o ex-juiz teria aceitado a substituição de Maurício Valeixo, da diretoria-geral da Polícia Federal, somente em novembro, depois que fosse indicado para o STF. Em decorrência disso, o procurador geral da República, Augusto Aras, pediu a abertura de um inquérito junto ao Supremo. O inquérito envolve Moro e Bolsonaro e a decisão pode ser anunciada ainda esta semana, cita a MCM Consultores.

Além disso, o estrategista da Levante afirma que a indicação de pessoas próximas a Bolsonaro para o Ministério da Justiça e para a PF pode ser mal interpretada no mercado. “É algo a se acompanhar, mas talvez o Ibovespa não sofra tanto, já que perdeu muito, está no limite de precificação, e isso acaba atuando até do nosso lado. Com o dólar alto, o investidor estrangeiro tende a comprar Bolsa, mas não porque a situação está melhor”, explica.

Bandeira, do Modal Mais, ainda cita o início da temporada de balanços no Brasil esta semana e as decisões de política monetária nos Estados Unidos, que podem provocar instabilidade, fora o feriado no Brasil, na sexta-feira, por conta do Dia do Trabalho. “Temos ainda a questão Embraer/Boeing”, cita, ao referir-se à notícia de que as fabricantes de aviões entraram em guerra no sábado, após a americana ter anunciado que encerrou as negociações para comprar a divisão de aviação comercial da brasileira. O prazo para finalização do acordo terminou na sexta-feira, mas havia a possibilidade de as negociações serem estendidas até outubro. As ações da Embraer perdiam quase 12%.

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