
Na Fronteira com a Argentina, produtores de leite realizam mobilização contra importação de lácteos
Infelizmente, a cadeia produtora tem sofrido diante das condições de mercado que estão sendo impostas, fator que está obrigando muitos produtores a abandonarem os trabalhos. ...
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Por Fábio Wronski

As Regiões Oeste e Sudoeste do Estado são conhecidas pelo poderio do agronegócio e também pela qualidade dos produtos que são produzidos.
Infelizmente, a cadeia produtora tem sofrido diante das condições de mercado que estão sendo impostas, fator que está obrigando muitos produtores a abandonarem os trabalhos.
A ‘a bola da vez’ são os produtores de lácteos que, nos últimos meses, têm sofrido com diversas reduções no preço do litro de leite produzido.
A concorrência com os Países vizinhos, Argentina e Uruguai, tem trazido grandes transtornos aos agricultores, os quais não conseguem contestar os valores que lhe são pagos, isto diante dos preços que estão sendo importados os produtos dos países do Mercosul.
Conforme os dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, no primeiro semestre de 2023, o Brasil realizou a importação de um bilhão de litros de leite, sendo um volume 300% superior ao mesmo período do ano passado.
Até então, a taxa de importação de leite era de 1 a 3%, porém, estes números subiram, neste ano, para 12%.
Para alguns, a explicação fica basicamente na lei da oferta e da procura, porém, há um grande contexto por trás deste comércio o qual, além de prejudicar os pequenos produtores, diminui a qualidade do produto final aos consumidores.
Hoje, o Brasil é o quinto maior produtor de leite do mundo, porém, é um dos países com o maior consumo dos produtos lácteos, por isto, não tem uma demanda suficiente, precisando realizar a importação, entretanto, com livre acesso, os Países vizinhos tem avançado no mercado brasileiro.
Na comparação, é possível notar que a Argentina, que ocupa a 12º posição como maior produtora do mundo, é responsável pela fabricação de 11 bilhões de litros de leite por ano. O Brasil produz 35 bilhões de litros, mas, tem nesta cadeia a quantia de 1 milhão de pequenos produtores.
Na Argentina, a produção se concentra em aproximadamente 10 mil fazendas, as quais fazem a produção e larga escala e teriam qualidade reduzida.
Paralelo a isto, há a preocupação, conforme os produtores, que os países vizinhos supostamente estariam realizando a reidratação do leite em pó e encaminhando o produto ao Brasil como se fosse de primeira qualidade.
Desta forma, são solicitadas maiores fiscalizações perante a CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento), além da equiparação dos preços e taxas de importação.
Visualizando as baixas, os produtores de leite do Paraná estão mobilizados, tentando chamar a atenção do Governo e principalmente da população para que ocorra uma equiparação.
Nos últimos anos os preços repassados pelo litro de leite aos agricultores têm caído rotineiramente, assim, praticamente inviabilizando a produção.
Desta forma, nesta quarta-feira, Unileite (União das Cooperativas Agrícolas de Laticínios) do Sudoeste realizou mais um encontro para discutir o tema e mobilizar a população e representantes junto à causa.
O encontro ocorreu no município de Dionísio Cerqueira, na fronteira com a Argentina, mobilizando aproximadamente mil produtores da região. O encontro contou com autoridades, as quais estão viabilizando negociações para favorecer a classe.
Após o encontro, uma passeata seguiu pelas ruas da cidade e rodovia, até a Aduana com o País Vizinho.
Os produtores pedem a sensibilidade dos representantes do Paraná e dos consumidores para que também exijam qualidade nos produtos que são oferecidos.
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