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‘Dizem que estou em campanha porque vou a vários lugares’, diz Otto Sonnenholzner

De perfil mais técnico e menos político, ele é o terceiro vice-presidente de Lenín Moreno – que assumiu em 2017 – e se tornou o protagonista...

Publicado em

Por Agência Estado

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“Guayaquil é minha cidade natal e entendo as reclamações justas de seus habitantes.” Assim, o vice-presidente do Equador sintetizou ao Estado o que sente ao ver corpos sendo retirados das casas e ruas da cidade em meio à pandemia do novo coronavírus.

De perfil mais técnico e menos político, ele é o terceiro vice-presidente de Lenín Moreno – que assumiu em 2017 – e se tornou o protagonista na atual crise sanitária após o afastamento do presidente, de 67 anos, da linha de frente por integrar o grupo de risco.

Sonnenholzner passou a viajar pelo país e ganhou visibilidade, o que torna seu nome uma aposta de analistas para concorrer à presidência em 2021. Mas ele nega que esteja fazendo campanha. “Não estamos em campanha nem ganhando popularidade para as próximas eleições. Não é algo que temos em mente agora.”

Como está o combate ao coronavírus?

Fomos os primeiros da América Latina a aplicar restrições de mobilidade e isolamento preventivo obrigatório, o segundo país a suspender aulas e eventos com multidões e o terceiro que mais testes realizou por milhão de habitantes. Temos seguido as recomendações da OMS, colocando a saúde na frente da economia. Como todo o mundo, estamos adotando novas medidas excepcionais.

Quais novas medidas?

Triplicamos nossa capacidade de testes no país. Até sexta-feira, foram feitos 56.500 testes Contratamos mais de 1.284 profissionais da saúde, temos 134 hospitais, sendo 38 exclusivos para tratar a covid-19. No país todo temos 13.204 leitos na rede pública de saúde, 492 em unidades de terapia intensiva e 124 em UTIs infantis. Em um mês, destinamos US$ 298 milhões para a Saúde. Continuamos com o isolamento social e estamos implementando o uso da tecnologia para garantir seu cumprimento, com ferramentas de geolocalização. Não somos nós que determinamos o fim dessa crise, mas a evolução da doença.

Como o sr. se sente vendo o que ocorre em Guayaquil e o que fazer para melhorar a situação?

Guayaquil é minha cidade natal e entendo e sinto profundamente a angústia e as reclamações justas de seus habitantes. Por isso, temos reforçado o trabalho na cidade. Quando os números (de infectados) aumentaram, imediatamente transferimos a sede do Ministério da Saúde para lá. Apesar das críticas de alguns atores políticos, estamos passando nos hospitais pessoalmente para garantir que a ajuda a famílias vulneráveis chegue.

Qual é a atuação com a população de Guayaquil?

Guayaquil é o polo econômico do país e uma cidade complexa. As realidades aqui são muito diferentes umas das outras. Trabalhamos com autoridades locais para proteger aqueles que nos protegem. Na maior parte do país baixamos o número de mortos e Guayaquil não é exceção, mas ainda há muito por fazer, e faremos.

O senhor tem planos de concorrer à presidência?

Não estamos em campanha nem ganhando popularidade para as próximas eleições. Não é algo que temos em mente agora, muito menos quando as prioridades estão em temas muito mais urgentes e importantes. Ao contrário do que dizem rumores mal intencionados e críticas, nosso único objetivo agora é cumprir nossas obrigações como autoridades. Dizem que estou em campanha porque vou a vários lugares. O que posso fazer se jamais me conformarei com um trabalho em escritório se posso ser mais útil em campo? Não deixarei de trabalhar para agradar àqueles que se dedicam a criticar detrás de uma mesa ou da comodidade das redes sociais. O primordial é cuidar da vida de todos os equatorianos.

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