AMP
Bate-papo com Giovana Madalosso e Cristovão Tezza. Foto: Gabriela Krassuski

Festival da Palavra movimenta o sábado no centro histórico de Curitiba com atrações literárias

Personagens do Castelo Rá-tim-bum e Mary Del Priore movimentam ultimo dia do Festival da Palavra de Curitiba No Festival da Palavra......

Publicado em

Por CGN

Bate-papo com Giovana Madalosso e Cristovão Tezza. Foto: Gabriela Krassuski

O I Festival da Palavra de Curitiba movimentou o centro histórico de Curitiba neste sábado (30/9), atraindo grande público para os eventos literários em diversos espaços. A chuva não atrapalhou nem fez o público desistir de participar das várias atrações programadas, entre bate-papos, palestras sobre escritores paranaenses, oficinas, salão do livro, sessões de autógrafos, exposição e maratona poética com autores curitibanos.

Dentro da sua diversidade, o I Festival da Palavra de Curitiba abriu espaço para a literatura dos povos originários. Depois de Olivio Jekupe, escritor indígena da aldeia urbana Kakané Porã, que participou de um bate-papo na sexta-feira (29/9), agora foi a vez das mulheres indígenas. Juliana Kerexu e Auritha Tabajara se encontraram para um bate-papo neste sábado, no Memorial de Curitiba, sobre a literatura indígena e sua relação com a ancestralidade.

Escritora, poetisa e professora de guarani, Juliana Kerexu é cacique da aldeia Tekoa Takuaty, localizada na Ilha da Cotinga, no litoral do Paraná, e coube a ela o papel de receber Auritha Tabajara, a primeira cordelista indígena do Brasil. “Para todos os povos indígenas, a oralidade é a forma mais forte que existe para estar conectado à ancestralidade. Quando se fala, deve-se falar só coisas boas, para que o espírito da palavra se dissemine pelo mundo, levando o saber milenar que os povos carregam”, explicou Juliana.

Pedra de luz

Auritha, cujo nome em tupi significa pedra de luz, apresentou-se contando sua história através de um poema cordelizado e destacou a vivência familiar como a base da sua formação. “A minha faculdade se chama Gonçala Tabajara e a minha pós-graduação, Francisca Tabajara, minha mãe e minha avó. Elas são meus certificados”, disse.

Numa reflexão sobre ancestralidade, Auritha ensinou que este é o lugar onde mora a sabedoria sobre o mistério da vida. “Nós, indígenas, escrevemos com várias vozes, a voz do barro, do fogo, da água, da natureza, da mãe terra. E essas vozes se unem numa só palavra que é a ancestralidade”, explicou.  

A escritora nasceu numa aldeia indígena do interior do Ceará e atualmente vive em São Paulo. Ela conta que a escrita é algo importante na sua vida desde pequena, ainda que tenha ido para a escola pela primeira vez aos 9 anos. “Eu escrevia poemas sem saber o que eram”, disse ela, que declamou, a pedido da plateia, o seu primeiro cordel, denominado “Grão”.

O livro que a tornou conhecida foi “Coração na aldeia, pés no mundo”, que conta a sua própria trajetória. O livro ganhou o selo altamente recomendável da Fundação Nacional do Livro Infantojuvenil. “Desde os 9 anos eu já sonhava ganhar o mundo e a poesia é a minha forma de lutar”, disse.  

Horizontes

Quem assistiu ao bate-papo saiu impressionado com a riqueza das reflexões sobre a educação, a cultura, a formação e as relações humanas dentro das comunidades indígenas, transmitidas pelas duas convidadas. “Fiquei emocionada”, disse Ana Luiza Mendes, escritora e professora de História e Português da rede estadual de ensino. Ana Luiza tem acompanhado a programação do festival. “É uma iniciativa importante para a divulgação dos autores locais e nacionais. Esta palestra, especialmente, nos fez refletir sobre a participação dos povos indígenas em todas as áreas do conhecimento”, afirmou.

Adriana Barreta, escritora, editora e integrante do coletivo Era uma vez, destacou a originalidade das palestras. “Achei essencial o convite para essas duas escritoras. Esse encontro realmente amplia os nossos horizontes. Aprendemos muito e conhecemos a produção literária dessas mulheres que têm muito a falar, muito a ensinar. Os organizadores estão de parabéns”, elogiou.

Agito literário

A movimentação no centro histórico começou cedo, a partir das 9h da manhã, com os bate-papos sobre mediação e leitura, no Solar da Cultura, entre Bel Santos Meyer e Lucas Buchile, e um pouco mais tarde, no mesmo local, o debate “Difundindo a palavra”, com Álvaro Posselt.

No Memorial de Curitiba, Cristóvão Tezza e Giovanna Madalosso conversaram sobre a presença de Curitiba nas (suas) literaturas. No final da manhã, o público ainda pôde viajar para um outro universo e acompanhar o debate com escritora indiana Shelly Bohil, sobre palavra e exílio – mulheres poetas do Tibete.

Enquanto isso, no Belvedere da Praça João Cândido, membros da Academia Paranaense de Letras palestraram sobre a obra de autores paranaenses. Marta Moraes da Costa falou sobre Valêncio Xavier, Ernani Buchmann contou histórias sobre Paulo Leminski e Nilson Monteiro apresentou Domingos Pellegrini.
Na Casa Hoffmann, o paulista Michel Sleiman, que é professor do Departamento de Letras Orientais da USP e especialista em literatura árabe, deu uma oficina sobre tradução de poesia. Novos poetas se apresentaram na Feira do Poeta, onde acontece até amanhã a série “24 horas de poesia em Curitiba”.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

Sair da versão mobile
agora
Plantão CGN
X