CGN
Acesse aqui o Discover e busque as mais lidas por mês!
Imagem referente a Bispo de Curitiba critica STF por debate sobre aborto em casos de zika em meio à pandemia
Foto: Patryck Madeira/Divulgação

Bispo de Curitiba critica STF por debate sobre aborto em casos de zika em meio à pandemia

O debate está marcado para começar na tarde desta sexta-feira (24), por videoconferência ...

Publicado em

Por Fábio Wronski

Publicidade
Imagem referente a Bispo de Curitiba critica STF por debate sobre aborto em casos de zika em meio à pandemia
Foto: Patryck Madeira/Divulgação

O arcebispo de Curitiba, Dom José Antonio Peruzzo, criticou o Supremo Tribunal Federal (STF) por pautar a discussão sobre a descriminalização do aborto em casos de infecção por zika vírus. Em vídeo postado nas redes sociais nesta quinta-feira (23), o religioso afirma que o momento não é adequado para a discussão, uma vez que estamos em meio à pandemia do coronavírus. O debate está marcado para começar na tarde desta sexta-feira (24), por videoconferência.

Estudos mostram que o zika vírus é causa em potencial para o nascimento de crianças com microcefalia. A característica central da doença, como o próprio nome sugere, é a cabeça pequena. Ou seja, o bebê nasce com o perímetro cefálico menor que o da maioria. O diagnóstico inicial é feito com uma trena, com a qual se faz a medida do contorno da região logo acima dos olhos.

Segundo Peruzzo, a grande temática da discussão é a ética. “Para a maior parte dos brasileiros, é uma questão de fé e teológica. A igreja se manifesta não só por razões religiosas, mas também antropológicas, já que quem é que define quando um feto é pessoa humana. Seria apenas uma questão biológica, médica? É o jurista, é o STF, é o legislador? Ou há uma realidade adjacente a tudo isso que se apresenta como valor absoluto”, disse.

O líder da Igreja Católica em Curitiba ainda critica o momento da discussão. “É estranho que, no momento em que o país dedica todos os melhores esforços para defender a vida em tempos de pandemia, eis que o STF pauta essa discussão em um momento em que os brasileiros nem podem se manifestar”, criticou.

A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) foi apresentada em 2016 pela Associação Nacional de Defensores Públicos (Anadep). Na ação, a Anadep defende que a mulher tem direito à vida digna, garantindo a ela a “possibilidade de escolher não continuar com gravidez que lhe causa intenso sofrimento”.

Valores em debate

A professora de Direito Constitucional do Centro Universitário Curitiba (UniCuritiba), Priscila Caneparo, explica que o julgamento que descriminalizou o aborto em casos de fetos anencéfalos deve pesar bastante na discussão desta sexta. “Na ocasião, o ministro Marco Aurélio fez uma ponderação de valores. A gente tem de entender que o direito à vida não é absoluto no ordenamento jurídico brasileiro, então o direito à vida do feto foi flexibilizado e restringido em termos técnicos frente a outros direitos próprios da mulher, como o da privacidade, saúde e intimidade. A minha análise é que a tendência do STF se dê nessa mão”, explicou.

Caneparo lembra que na ocasião o direito da mulher prevaleceu diante de uma ponderação de valores de direitos fundamentais da mulher e a falta de sobrevida do feto anencéfalo. “Ele [Marco Aurélio] fala que o Estado não pode se valer de critérios religiosos, mas agora temos a questão que o feto com zika tem uma sobrevida. O debate estará na gestação que causa um sofrimento desproporcional para a mulher. Basicamente, o que o STF vai fazer uma ponderação de valores entre o direito à vida do feto frente a outros direitos da mulher”, diz.

Se aprovado, o Código Penal passaria a contar com um novo excludente de ilicitude, como é o caso dos fetos anencéfalos.

A professora Caneparo lembra ainda que as discussões em torno do tema aborto passam por direitos fundamentais da mulher gestante e de saúde pública. “Os direitos fundamentais da gestante, especialmente da privacidade, é o argumento utilizado nos Estados Unidos. Lá, até o terceiro mês de gestação, em qualquer caso está autorizada a retirada do feto. Já na França é considerado caso de saúde pública. Por mais que não seja o caso efetivamente, é importante trabalhar com essas discussões e mostrar que talvez o nosso progresso nessas discussões também vão abraçar o direito comparado dos dois países”, concluiu.

Com informações: Portal Banda B.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

AVISO
agora
Plantão CGN