
Sistema carcerário soma quase 50 casos suspeitos de Covid-19 no Paraná
A principal medida é a aquisição de 350 mil máscaras e 30 mil óculos de proteção......
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Por Redação CGN

Evitar a disseminação da Covid-19 é difícil em qualquer lugar. Mas as prisões estão, definitivamente, entre os lugares mais difíceis de se proteger.
No Paraná, já são quase 50 casos suspeitos de contágio pelo novo coronavírus.
No Complexo Médico Penal (CMP), em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba (RMC), cerca de 20 presos estão em isolamento. Além disso, há 27 policiais penais (os antigos agentes penitenciários) afastados do serviço e suspeitos de terem sido contaminados.
A situação é relatada pelo Sindicato dos Policiais Penais do Paraná (Sindarspen), que teme a possibilidade de uma rápida disseminação da doença dentro dos presídios.
“Pegamos cubículos de 6m² com nove presos. Agora chegando o inverno fica muito úmido [nas prisões] e isso torna rápido o contágio de qualquer doença. Nosso maior medo é que o vírus entre no sistema penitenciário e que a partir daí a disseminação seja rápida”, afirma Ricardo Carvalho Miranda, presidente do Sindarspen.
Só no Paraná, conforme dados do Mapa Carcerário, há atualmente 25.530 detentos para um total de 21.086 vagas, cenário que se traduz em celas superlotadas, o que impossibilita a tomada de medidas como distanciamento social. Para piorar, há pessoas sendo presas e outras sendo soltas constantemente.
O perigo é que o vírus entre nas prisões e, a partir daí, a disseminação da doença se torne difícil de controlar dentro das unidades. Isso não só afetaria muitos presos e guardas, mas também sobrecarregaria o sistema de saúde e aumentaria os riscos para o restante da população.
“Na Itália, um país de primeiro mundo, o vírus evoluiu de maneira muito rápida. Suspenderam as visitas [nas prisões] e mesmo lá, que não tem costume de rebeliões, mortes, tivemos casos desses. Se lá já teve isso, aqui, com todas as questões carcerárias, atraso de investimentos, acaba gerando um risco maior. Aqui no Brasil é muito fácil para ocorrer uma tragédia de proporção mais elevada. E não temos, na verdade, o controle mínimo [das prisões]”, comenta Miranda.
A situação levou o Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) a cobrar recentemente ações de prevenção para os presídios por parte do Estado.
No começo da noite de ontem (22), o Depen-PR encaminhou uma nota ao Bem Paraná comentando sobre as ações que estão sendo tomadas.
A principal medida é a aquisição de 350 mil máscaras e 30 mil óculos de proteção, que devem ser recebidos nas próximas semanas.
“Os materiais encomendados serão distribuídos entre os servidores da Pasta, sendo priorizado os profissionais da segurança pública que atuam no atendimento ao público e ficam de maneira mais exposta a eventuais casos da infecção, como agentes e policiais civis e militares operacionais.”
“Se algum sintoma da infecção de Covid-19 é apresentado, o preso recebe prioridade e maior atenção das equipes de saúde”, diz o texto. Por fim, o Departamento Penitenciário diz que tem feito “ampla campanha de conscientização à respeito do uso correto dos equipamentos de proteção e cuidados com a Covid-19”.
Informações do Bem Paraná
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