FGV/Icomex: apesar de desaceleração mundial, exportações brasileiras devem crescer 5,4% em 2023
A FGV lembra que a Organização Mundial do Comércio (OMC) prevê um arrefecimento no ritmo de crescimento do volume do comércio mundial de mercadorias, de uma...
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Por Agência Estado
Na contramão da perda de fôlego do comércio mundial, o volume de exportações brasileiras deve crescer 5,4% em 2023, após já ter aumentado 4,4% em 2022, segundo o relatório do Indicador de Comércio Exterior (Icomex) divulgado nesta quarta-feira, 21, pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
A FGV lembra que a Organização Mundial do Comércio (OMC) prevê um arrefecimento no ritmo de crescimento do volume do comércio mundial de mercadorias, de uma alta de 2,7% em 2022 para 1,7%, em 2023. Para a América do Sul, o avanço sairia de 1,9% para 0,3% no mesmo período.
“O Brasil é a maior economia da região e o maior exportador. Entre os 30 principais exportadores mundiais de 2022, o único país (sul-americano) que integra a lista é o Brasil na 26ª posição (participação de 1,3% nas exportações mundiais). Nesse contexto, a previsão do crescimento do volume exportado na região (América do Sul) é fortemente influenciado pelo desempenho do Brasil”, apontou o relatório do Icomex.
De janeiro a maio de 2023, o volume exportado pelo Brasil avançou 9,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. De janeiro a maio de 2022, essa elevação tinha sido de 0,6% ante o mesmo período do ano anterior.
“Os resultados sugerem, portanto, que a previsão de piora da OMC para a região (América do Sul) não deverá se aplicar ao Brasil. É esperado que o ritmo de crescimento desacelere no segundo semestre com menores embarques da soja, piora nas vendas para a Argentina e seguindo com o recuo nas vendas para a União Europeia. No entanto, exceto por eventos imprevistos, os dados até o momento apontam para um maior crescimento do volume exportado em 2023 do que em 2022”, projetou a FGV.
O saldo da balança comercial brasileira atingiu o recorde de US$ 11,3 bilhões em maio. No acumulado no ano, de janeiro a maio, o superávit ficou em US$ 34,9 bilhões. O mês de maio manteve a tendência de queda nos preços exportados e importados em relação ao ano anterior, mas aumento nos volumes.
No caso das exportações, os preços recuaram 13,4% em maio de 2023 ante maio de 2022, mas o volume cresceu 28,4%. Nas importações, os preços diminuíram 13,7% em maio deste ano ante maio do ano passado, mas o volume teve elevação de 1,8%.
No acumulado de janeiro a maio deste ano, os preços das exportações caíram 4,6% ante o mesmo período de 2022, mas o volume aumentou 9,0%. Os preços das importações diminuíram 3,9% no acumulado do ano, e o volume teve recuo de 0,7%.
O volume de commodities exportadas pelo Brasil cresceu 36,0% em maio de 2023 ante maio de 2022, enquanto o de não commodities subiu 4,8%. Quanto às importações, o volume de compras de commodities subiu 12,5% em maio deste ano ante maio do ano passado, e as aquisições brasileiras de não commodities aumentaram 0,6%.
“Observa-se que as não commodities explicam cerca de 90% das importações totais do Brasil”, ponderou a FGV.
O Icomex revelou ainda um aumento de 63,9% no volume importado de bens de capital da agropecuária no acumulado de janeiro a maio de 2023 ante o mesmo período de 2022. Para a indústria, a aquisição de bens de capital importados acumula alta de 10,9% no acumulado do ano.
De janeiro a maio de 2023, ante o mesmo período do ano anterior, o Brasil exportou mais, em valores, para a Argentina (26,9%), China (8,1%) e Estados Unidos (4,1%). Na direção oposta, houve queda nas remessas para a União Europeia, -6,2%.
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