CGN
Acesse aqui o Discover e busque as mais lidas por mês!

Escritor Luiz Alberto Mendes morre aos 68 anos

Mendes nasceu em 1952, no bairro paulistano de Vila Maria. Autodidata, passou boa parte da vida em reformatórios e penitenciárias do estado de São Paulo, após...

Publicado em

Por Agência Estado

Publicidade

O escritor paulistano Luiz Alberto Mendes morreu nesta quarta-feira, 8, em decorrência de um aneurisma, aos 68 anos. Ele ficou conhecido quando publicou, em 2001, o livro Memórias de um Sobrevivente, pela Companhia das Letras, o primeiro de uma trilogia sobre a vida na prisão.

Mendes nasceu em 1952, no bairro paulistano de Vila Maria. Autodidata, passou boa parte da vida em reformatórios e penitenciárias do estado de São Paulo, após ser condenado a mais de cem anos de prisão por diversos crimes. Foi na prisão – durante outra epidemia, no final dos anos 1980 – em que conheceu a enfermeira Michele Caolha, portadora do HIV, que foi quem lhe apresentou os livros. Em pouco tempo, passou a ler tudo que conseguiu, dos clássicos aos modernos, e começou a dar aulas na prisão, bem como a trabalhar no setor jurídico, em um grupo espírita, nos Correios, e até a produzir bichinhos de pelúcia.

Auxiliado pelo escritor e roteirista Fernando Bonassi (de Estação Carandiru), que levou e recomendou o livro à editora, Mendes lançou Memórias de um Sobrevivente ainda preso, em 2001, e a obra foi recebida com espanto, pelo seu retrato particular não só da vida na cadeia, mas das forças externas e internas que fizeram Mendes se transformar em quem ele era.

“Achava que liberdade era ter dinheiro no bolso. A minha liberdade estava no bolso. Hoje vejo que existem liberdades maiores do que a de ir e vir”, disse Mendes em 2005 ao Jornal da Tarde. “A primeira coisa pior de se estar preso é ficar longe de quem você ama. A segunda é ter de conviver com os presos. Todos tristes, angustiados, sofrendo como você. É duro.”

Ainda em 2005, ele lançou Às Cegas, e em 2015, Confissões de um Homem Livre, também pela Companhia das Letras, sobre seus últimos anos no cárcere, entre outros livros. Ele também era colunista da revista Trip e durante seu período em liberdade, depois de 2004, seguiu escrevendo, dando aulas e palestras e ministrando cursos e oficinas para presidiários.

Seu projeto mais recente foi o filme Sete Idas Para o Inferno (escrito com José Alvarenga Júnior, sobre um presidiário que sai da prisão e não encontra mais sua vida antiga), que no início de 2019 estava em fase de captação de recursos.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

AVISO
agora
Plantão CGN