
Nem tanto – por Caio Gottlieb
Resumindo: degustar um bom vinho faz bem para o corpo, para o espírito e para a alma, mas não faz milagres...
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Por Caio Gottlieb

Até mesmo o chamado néctar dos deuses entrou na lista de remédios contra o novo coronavírus no pandemônio das redes sociais que discutem acaloradamente o andamento da pandemia no Brasil e no mundo.
Tudo começou dias atrás quando o presidente da Federação Espanhola de Enologia, Santiago Jordi Martín, emitiu um comunicado, referendado pelas entidades similares da Itália e de Portugal, afirmando que “a sobrevivência do Covid-19 no vinho parece impossível, pois a combinação concomitante da presença de álcool, um ambiente hipotônico (um líquido em que a concentração do soluto é menor que a concentração do solvente) e a presença de polifenóis (substâncias naturais antioxidantes que se encontram em abundância nos taninos do vinho) impedem a vida e a multiplicação do próprio vírus”.
Dito isso, Martín concluiu que “o consumo moderado de vinho, desde que de forma responsável, pode contribuir para uma melhor higiene da cavidade bucal e da faringe, locais onde é mais comum o vírus hospedar-se caso ocorra uma infecção”.
Mas parece que não é bem assim.
Profissionais da área da saúde ouvidos pelo jornalista Marcos Graciani, grande apreciador e conhecedor de vinhos que assina o blog Cepas & Cifras no portal da revista Amanhã, desmentem categoricamente a tese.
Como bem lembrou Graciani, existem, de fato, muitos trabalhos científicos demonstrando os efeitos positivos da uva e seus derivados, inclusive o vinho, para a saúde, mas não especificamente para combater o coronavírus.
Uma das fontes do blogueiro, a biomédica Caroline Dani, mestre e doutora em biotecnologia pela Universidade de Caxias do Sul, relatou que “existe um estudo publicado em 2017 que trata do efeito do resveratrol em vitro – ou seja, no laboratório. Foi um teste químico demonstrando que essa substância tem uma ação antiviral contra outras cepas desse novo vírus, como o SARs, e não contra o Covid-19. Sabe-se que compostos fenólicos têm ações antimicrobianas e antioxidantes, porém, não há nada comprovado com base no que a Federação Espanhola de Enologia tem difundido”.
A especialista ainda recorda que a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que o álcool não previne com relação à contaminação do Covid-19. Em excesso, aliás, ele baixa a imunidade.
Ressalve-se, porém, que consumir vinho (e não outras bebidas alcoólicas, como cerveja, por exemplo) de forma moderada é algo que vai, sim, trazer vários benefícios.
De forma que, frisa Caroline, “o consumo moderado não vai prejudicar a imunidade. Os polifenóis podem até ter ação antiviral, mas não há comprovação que atuem sobre o novo coronavírus”.
Resumindo: degustar um bom vinho faz bem para o corpo, para o espírito e para a alma, mas não faz milagres.
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