CGN
Acesse aqui o Discover e busque as mais lidas por mês!

Erdogan enfrenta maior ameaça em duas décadas em eleição na Turquia

Se as pesquisas estiverem certas, seu maior rival, Kemal Kilicdaroglu, deve chegar à frente da disputa, mas com uma vantagem muito pequena. O ambiente altamente polarizado...

Publicado em

Por Agência Estado

Publicidade

Recep Tayyip Erdogan chegou ao poder em 2003. Desde então, um terço dos turcos, jovens recém-saídos da adolescência, nunca conheceram outro presidente. As eleições deste domingo, porém, representam a maior ameaça das últimas décadas ao novo sultão da Turquia.

Se as pesquisas estiverem certas, seu maior rival, Kemal Kilicdaroglu, deve chegar à frente da disputa, mas com uma vantagem muito pequena. O ambiente altamente polarizado fazem os dois candidatos flertarem com marca dos 50% dos votos, o que decidiria a eleição no primeiro turno – o segundo, dependendo da votação dos candidatos nanicos, será realizado no dia 28.

Erdogan é um personagem controvertido. Herdou o segundo país mais populoso da Europa castigado por uma inflação crônica e taxas de juros estratosféricas. Ele tinha 49 anos e misturava um populismo nacionalista com um tempero religioso. O futuro da Turquia parecia brilhante.

SEDE DE PODER

“A democracia é como um bonde. Você segue até o seu destino, então você desce”, dizia Erdogan, então prefeito de Istambul, nos anos 90. Mas, como presidente, ele trancou as portas, acelerou e nunca mais saiu. Foram 20 anos atacando as instituições, especialmente o Judiciário, e perseguindo opositores.

Em 20 anos, deu tempo de domar a inflação, vislumbrar um lapso de prosperidade e sonhar com a Europa. Mas foram tantos anos no poder que Erdogan foi perdendo capital político: recentemente, o custo de vida voltou a disparar, a insatisfação popular aumentou e a Turquia acordou do sonho europeu com o barulho de bombas no quintal: um conflito civil ao sul, na Síria, e uma guerra de verdade do outro lado do Mar Negro, na Ucrânia.

O sultanato de Erdogan viveu momentos de tensão. Em 2013, um movimento popular se espalhou pela Turquia – parte de uma onda global de insatisfação que varreu o mundo islâmico e chegou até o Brasil. O governo se manteve firme, resistindo aos protestos na Praça Taksim, em Istambul, reprimidos com violência pela polícia.

GOLPE

Em 2016, Erdogan sobreviveu a uma quartelada de setores do Exército, que foi controlada por forças leais a Erdogan. O motim serviu de pretexto para o governo distribuir o selo de “terrorista” para qualquer opositor político – mais de 15 mil pessoas foram presas, segundo o governo, por ligação com Fethullah Gülen, clérigo que vive exilado nos EUA e faz o papel de bicho-papão sempre que Erdogan precisa de um bode expiatório.

Apesar da truculência, Erdogan ainda é popular dentro de sua coalizão, composta pelos que mais se beneficiaram da fartura dos seus primeiros anos: uma classe média do interior do país, eleitores conservadores ou religiosos, principalmente de zonas rurais, que se sentiam desprezados pelas elites urbanas e seculares.

OPOSIÇÃO

Hoje, ameaça vem de um burocrata com pouco carisma, mas que conseguiu montar um arco de alianças que pode destronar o presidente mais longevo da Turquia desde a queda do Império Otomano. Aos 74 anos, o economista Kilicdaroglu é um funcionário público aposentado que escalou as pesquisas com a promessa de romper com a era Erdogan.

De fala mansa e figura esguia, ganhou dos analistas o apelido de “Gandhi da Turquia”. Com habilidade, Kilicdaroglu deu uma repaginada no moribundo Partido Republicano do Povo (CHP), transformado em uma moderna máquina de negociação social-democrata.

Hoje, os turcos decidem se Kilicdaroglu foi ou não convincente. Superar a era de Erdogan não é fácil. A Turquia está dividida. Muitos duvidam que o sultão aceite a derrota. Outros temem que Erdogan não seja capaz de perceber que a hora de descer do bonde chegou. (Com agências internacionais).

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

AVISO
agora
Plantão CGN