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‘Agropeça’ visita o ‘Sítio do Pica-Pau Amarelo’

Um dos mais importantes coletivos do País, o Vertigem já levou espetáculos a igrejas (O Paraíso Perdido, 1992), hospitais (O Livro de Jó, 1995), presídios (Apocalipse...

Publicado em

Por Agência Estado

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O diretor Antônio Araújo, de 56 anos, nasceu em Uberaba e foi criado em Araguari, no norte do Triângulo Mineiro. A cidade é um dos maiores polos do agronegócio brasileiro e suas feiras agropecuárias recebem milhares de pessoas todos os anos, além de ser um programa recorrente para quem mora nas cidades vizinhas. “Eu ia a todos esses eventos na minha infância, lá havia muitos shows, era uma programação extensa”, afirma Araújo, que se mudou para São Paulo aos 16 anos e, desde 1992, lidera o Teatro da Vertigem. “Por isso, não há como negar que esse universo do agro faz parte da minha formação.”

Um dos mais importantes coletivos do País, o Vertigem já levou espetáculos a igrejas (O Paraíso Perdido, 1992), hospitais (O Livro de Jó, 1995), presídios (Apocalipse 1,11, 2000) e até sobre as águas do Rio Tietê (BR-3, 2006). Para a nova encenação, Agropeça, que estreia nesta quinta, 4, o realismo absoluto foi dispensado e uma arena de rodeio em chão de terra ocupa o Galpão do Sesc Pompeia. “Não senti a necessidade de uma arena de verdade, porque acho mais interessante a construção desse espaço em um teatro – por causa do universo fake em que vivemos”, justifica o diretor.

Agropeça reúne oito atores para falar dos movimentos conservadores e da mentalidade reacionária que ganharam força no Brasil da última década. A surpresa é que a dramaturgia construída pelo autor Marcelino Freire dialoga com a mais famosa obra de Monteiro Lobato (1882-1948), Sítio do Picapau Amarelo, criando entre os personagens embates que, muitas vezes, fogem do clima amistoso da história infantojuvenil.

Araújo conta que o projeto começou a ser desenhado em 2018 em meio à campanha que levou o ex-presidente Jair Bolsonaro ao poder. Veio a ideia da ambientação em um rodeio e a associação ao caipira Jeca Tatu – também de Lobato, e avesso aos hábitos sociais. Em um dos ensaios, porém, a atriz Tenca Silva improvisou uma cena como a boneca Emília. “Eu não sei se é absurdo, mas por que a gente não faz uma imersão nos personagens do Sítio do Picapau Amarelo?”, sugeriu o diretor à sua equipe, que imediatamente abraçou a provocação.

PERSONAGENS

Aos poucos, o clássico de Monteiro Lobato passou a ser reinterpretado nos ensaios comandados por Araújo e pela codiretora Eliana Monteiro e leituras livres sobre os personagens abasteceram a criatividade de Marcelino Freire.

Conversas com a locutora de rodeios Mara Magalhães e o peão Cléber Henrique reforçaram as pesquisas. Assim, Dona Benta (interpretada por Andreas Mendes) reina em seu latifúndio, enquanto Tia Nastácia (papel de Mawusi Tulani) cozinha de segunda a segunda e ainda se vira para manter a casa em ordem. A trama se instaura quando Pedrinho (representado por Vinicius Meloni) convida a prima Narizinho (a atriz Lucienne Guedes) e a boneca Emília (Tenca) para brincar de rodeio. Graças à magia do pó de pirlimpimpim, os meninos transformam o sítio em uma festa de peão e cada um deles se reveza como locutor do evento, sobrando até para a já tão explorada Tia Nastácia. Freire reconhece o Sítio do Picapau Amarelo como elemento formador na literatura e na televisão, mas isso não elimina um senso crítico em torno de um imaginário filtrado que, segundo ele, foi vendido ao público.

BRANQUITUDE

“O Sítio é mais um exemplo do Brasil que não conhece o Brasil e, na televisão, perpetuou a branquitude reinante que desembocou no Xou da Xuxa e nos programas de culinária que vemos até hoje”, declara. Questões como o racismo, a mentalidade escravagista e até a opressão aparecem sublinhadas na nova montagem do Vertigem. “Usamos o universo do Sítio para falar do Brasil de hoje, mas não ficou tão pesado. Em algumas cenas trabalhamos com elementos cômicos, na linha da paródia, o que é um diferencial nas peças do Vertigem”, completa o diretor Antônio Araújo.

Agropeça
Galpão do Sesc Pompeia
Rua Clélia, 93, Pompeia
4ª a sábado, 20 h.
Domingo e feriado, 17 h.
R$ 50. Até 11/6.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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