Teatro São Pedro abre temporada com ‘Dido e Enéas’

“Eu sempre parto, ao dirigir óperas, da ideia do aggiornamento, da atualização, da trama, mesmo que seja para abandoná-la depois”, explica o diretor. “E, neste caso,...

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Por Agência Estado

Um espetáculo em três tempos. Assim o diretor William Pereira define a produção de Dido e Enéas, de Henry Purcell, que abre de hoje a domingo a temporada lírica do Teatro São Pedro – que terá onze títulos apresentados até dezembro.

“Eu sempre parto, ao dirigir óperas, da ideia do aggiornamento, da atualização, da trama, mesmo que seja para abandoná-la depois”, explica o diretor. “E, neste caso, pareceu interessante trabalhar com três períodos que estão ligados à ópera.”

O primeiro é o século 1, quando Virgílio escreveu Eneida, poema épico que gira em torno de Enéas, herói troiano que se salva do ataque dos gregos. O segundo, o século 17, quando o libretista Nahum Tate e o compositor Henry Purcell transformam em ópera um dos episódios do poema, sobre o amor entre Enéas e Dido, a Rainha de Cartago.

“E o terceiro é o século 21, com uma reflexão sobre como podemos recriar essa ópera do período barroco à luz do nosso tempo”, diz Pereira. “Esse é um repertório que eu adoro, pelas liberdades que oferece. O barroco tem uma artificialidade e uma teatralidade que são muito interessantes para trabalhar, longe dos códigos da ópera romântica.”

Ele escalou, então, a musicóloga Ligiana Costa, especialista em ópera barroca, como dramaturgista; e o coreógrafo Luís Fernando Bongiovanni ficou responsável por criar uma coreografia que retrabalhasse o gestual barroco de forma contemporânea.

MONTAGEM

Ao mesmo tempo, explica o diretor, o original de Virgílio ofereceu elementos importantes para a construção da montagem. “Há imagens muito ricas e fortes que vêm não da ópera, mas de Eneida. E que me permitiram fugir do retrato de Dido como uma mulher deprimida, tão comum e potencializado pelo Lamento que ela interpreta no final da ópera e que é a passagem mais célebre da partitura.”

Dido será vivida pela soprano argentina Maria Cristina Kiehr, intérprete de exceção do repertório barroco, que faz aqui sua estreia no papel. O barítono Johnny França atua como Enéas; a soprano Marília Vargas, como Belinda; e o barítono Homero Velho, como a Feiticeira. A direção musical e a regência são de Luis Otávio Santos.

A temporada lírica do São Pedro segue em abril com O Rapto do Serralho, de Mozart, sob a direção de Jorge Takla. Em seguida, serão apresentadas as óperas O Voo Através do Oceano e Aquele que Diz Sim, de Kurt Weill e Bertolt Brecht; Raposinha Astuta, de Janácek; Cinderela, de Pauline Viardot; O Machete, de André Mehmari; e Os Conspiradores, de Schubert, além das três peças criadas no Ateliê de Criação Lírica.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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