Empresa ferroviária é condenada a pagar R$ 9,2 mi por ‘cemitério de vagões’ em SP

Na sentença, a juíza Liliana Regina de Araujo Abdalla, da 1ª Vara de Boituva, entendeu que houve danos morais coletivos, passíveis de serem indenizados. O valor...

Publicado em

Por Agência Estado

A Justiça condenou a empresa ferroviária Rumo Logística a pagar indenização de R$ 9,2 milhões a moradores afetados por um “cemitério de vagões”, em Iperó, interior de São Paulo. A sentença de primeira instância foi dada em dezembro último, porém, devido ao recesso do Judiciário, a empresa só foi notificada na semana passada. Durante cerca de dez anos, a população local conviveu com mais de 300 vagões sucateados e abandonados nos trilhos da ferrovia.

Na sentença, a juíza Liliana Regina de Araujo Abdalla, da 1ª Vara de Boituva, entendeu que houve danos morais coletivos, passíveis de serem indenizados. O valor da condenação equivale a 10% da arrecadação do município em 2022. Caso a sentença seja mantida, o dinheiro será revertido para projetos de assistência aos moradores dos bairros Novo Horizonte e Vila Santo Antônio, os mais afetados. A juíza determinou que a Rumo se abstenha de usar a linha férrea e a área de concessão como depósito de vagões descartados e sucata de material ferroviário.

Reportagens publicadas pelo Estadão entre 2012 e 2013 mostraram o drama do convívio dos moradores com os vagões abandonados. Além de favorecer a proliferação de ratos e insetos, as carcaças eram usadas como abrigos de usuários de drogas e esconderijo de criminosos. Conforme o advogado Solano Camargo, que patrocinou a ação, a decisão da Justiça apontou também para a degradação ambiental causada por restos de piche, soda cáustica e outros contaminantes que vazaram dos vagões.

A sentença levou em conta ainda o risco à saúde, devido à proliferação do mosquito da dengue nas carcaças que acumulavam água. “Como se vê, por qualquer ângulo pelo qual se observe a questão, seja pela ocorrência do dano ambiental, seja pelo sofrimento da população vizinha ante o estado de abandono pelo acúmulo de vagões de trem e materiais ferroviários inservíveis nas imediações de suas moradias, com o consequente aumento da criminalidade, a conclusão é uma só: a ocorrência do dano moral coletivo”, escreveu a magistrada.

Só em 2013, quando 314 vagões velhos e algumas locomotivas se deterioravam no local, a então detentora da concessão, ALL Logística, atendendo à determinação judicial, iniciou a retirada dos vagões. Em 2015, a ALL foi absorvida pela Rumo, que hoje detém a concessão de grande parte da malha ferroviária paulista.

O que diz a Rumo

Em nota, a concessionária informou que todos os vagões inativos de responsabilidade da empresa foram retirados do local há anos. “Em relação à sentença proferida, a equipe jurídica da empresa está analisando seu conteúdo para adotar as medidas cabíveis”, disse.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

Sair da versão mobile
agora
Plantão CGN
X