CGN
Acesse aqui o Discover e busque as mais lidas por mês!

Com NY, Ibovespa inicia semana em baixa de 1,85%, no menor nível desde 4/1

Lá fora, a ata da mais recente reunião de política monetária do Federal Reserve apontou, nesta tarde, que os dirigentes da instituição consideram que a chance...

Publicado em

Por Agência Estado

Publicidade

Após a pausa para o Carnaval, o Ibovespa retomou os negócios na tarde desta quarta-feira de cinzas em tom menor, acompanhando a cautela externa que havia prevalecido especialmente na sessão anterior, e que voltou a se acentuar, hoje, com a ata do Federal Reserve. Assim, a referência da B3 operou em baixa desde a abertura, aos 109.173,51 pontos, chegando na mínima da sessão, pós-ata, aos 106.720,17 (-2,25%), menor nível intradia desde 5 de janeiro (105.333,08 pontos). No fechamento, o índice mostrava perda de 1,85%, aos 107.152,05 pontos, com giro financeiro limitado a R$ 17,1 bilhões. No mês, o Ibovespa cai 5,54% e, no ano, 2,35%. O nível de encerramento da sessão foi o menor desde 4 de janeiro, então aos 105.334,46.

Lá fora, a ata da mais recente reunião de política monetária do Federal Reserve apontou, nesta tarde, que os dirigentes da instituição consideram que a chance de os Estados Unidos entrarem em recessão em 2023 permanece elevada. No começo da divulgação do texto, o blue chip Dow Jones oscilou para o negativo, mas logo voltou a se realinhar ao S&P 500 e Nasdaq, em leve alta. Ao fim, contudo, as três referências de Nova York se mostravam mais fracas do que antes da divulgação do documento, e sem sinal único: Dow Jones -0,26%, S&P 500 -0,16% e Nasdaq +0,13%.

Aqui, acompanhando a oscilação vista em Nova York, o Ibovespa perdeu a linha dos 107 mil pontos durante a divulgação do documento, acentuando as perdas à casa de 2%, em sessão de baixo volume de negócios. “O comitê (Fomc, do Fed) continua comprometido em retornar a inflação à meta de 2%”, apontou a ata, na qual os dirigentes da instituição observam que “um crescimento abaixo da tendência seria necessário para reduzir a inflação”. O documento indicou também que alguns dirigentes defenderam aumento de 50 pontos-base na taxa de juros de referência.

Assim, com a percepção de risco reforçada pelos sinais do Fed, as ações e os setores mais líquidos da B3 mantiveram sinal único em direção ao fechamento, negativo. Com o petróleo em baixa de cerca de 3% nesta quarta-feira, Petrobras ON e PN fecharam em queda, respectivamente, de 2,49% (mínima do dia no encerramento) e 2,57%. Vale ON cedeu 0,76% e as perdas entre as siderúrgicas chegaram a 2,61% (Usiminas PNA).

O segmento de utilities também foi mal na sessão, com Eletrobras ON em baixa de 3,12%. Entre os grandes bancos, destaque negativo para BB (ON -2,48%). Na ponta do Ibovespa, Via (-8,41%), Minerva (-7,92%), BRF (-6,71%) e Locaweb (-6,51%), com Cyrela (+3,12%), Petz (+2,71%), TIM (+1,89%) e Raízen (+1,65%) no lado oposto – apenas oito ações da carteira Ibovespa conseguiram fechar o dia com ganhos.

“A Bolsa abriu mais tarde, às 13h, e com volume enfraquecido neste retorno de feriado. Lá fora, o cenário esteve negativo, com expectativa também para a ata do Fed, divulgada às 16h. Ontem, em Nova York, os ADRs (de empresas brasileiras) tiveram queda de quase 2%, e hoje veio também o ajuste, na B3”, após ter ficado fechada na segunda e terça-feira, observa Piter Carvalho, economista-chefe da Valor Investimentos. “Um dia de menor volume e de ajuste do índice aqui dentro, e lá fora de atenção concentrada em sinais sobre a política monetária americana.”

“Ontem, teve um reverso forte no mercado americano, o que se refletiu aqui no volume nesta volta de feriado. Há ainda medo do Fed com relação a juros. O mercado se anima quando vêm alguns números melhores, mas quando a realidade se impõe, como nos últimos dados do CPI (inflação ao consumidor nos EUA), PPI (inflação ao produtor) e vendas do varejo, além dos de emprego, mostrando que a economia por lá ainda está forte, isso ampara a posição de que o Banco Central (americano) precisará ser ainda mais efetivo”, diz José Simão, sócio da Legend Investimentos, observando que o cenário de antecipação do momento de corte de juros foi se esvaindo.

Aqui, com a temperatura um pouco mais baixa após o tom conciliatório do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e a redução das críticas ao BC do governo Lula, a expectativa para os juros básicos se manteve estável para o fim de 2023, 2024 e 2025, no Boletim Focus desta semana. A mediana para a taxa Selic no fim de 2023 continuou em 12,75% ao ano, enquanto para o término de 2024 seguiu em 10,00%. Há quatro semanas, as estimativas eram de 12,50% e 9,50%, nessa ordem.

“O Focus trouxe continuidade do que se tem visto: as taxas abrindo nas perspectivas para 23, 24 e 25 em relação ao IPCA, com o mercado ainda precificando uma inflação pra cima, muito por conta do prêmio de risco. Enquanto não se puder ver um novo arcabouço fiscal e não se tiver efetividade da reforma tributária, a gente tende a ficar nesse movimento de juro pressionado”, aponta Simão, da Legend.

Nesse contexto, o Citi aumentou de 3,6% para 4,0% sua projeção para o IPCA de 2024, citando o impacto da desancoragem de expectativas no cenário. O banco estima que a inflação do Brasil fique em 3,5% ao ano a partir de 2025, 0,5 ponto porcentual acima do centro da meta para o ano (3,0%).

A incerteza sobre quem estará no comando do Banco Central a partir de 2025 também contribui para a elevação das expectativas de longo prazo registrada pelo boletim Focus, avalia o economista da Garde Asset Luís Menon. “Até 2024 sabemos que será o Roberto Campos Neto, mas a partir daí o mercado começa a colocar como possibilidade um banqueiro central mais dovish, mais leniente com a inflação”, diz o economista, reporta Marianna Gualter, jornalista do Broadcast.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

AVISO
agora
Plantão CGN