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Sistema de saúde da Venezuela pode entrar em colapso com coronavírus

“Já está comprovado que a medida mais efetiva e simples para deter o coronavírus é lavar as mãos e 58% de nossos hospitais não têm água....

Publicado em

Por Agência Estado

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No mundo inteiro, o maior temor ligado ao coronavírus é a falta de leitos em hospitais e UTIs. Na Venezuela, que sobrevive a duras penas à crise econômica, a preocupação é que a pandemia cause o colapso do sistema de saúde por motivos mais básicos. Na maior parte da rede de atendimento, faltam água e luz.

“Já está comprovado que a medida mais efetiva e simples para deter o coronavírus é lavar as mãos e 58% de nossos hospitais não têm água. Ou seja, pode ser um desastre a propagação do vírus dentro deles”, disse o médico venezuelano José Manuel Olivares Marquina, que chefiou a comissão de desenvolvimento social da Assembleia Nacional.

Segundo pesquisa feita entre novembro de 2018 e setembro de 2019, em 104 hospitais de 22 Estados venezuelanos, no ano passado, ao menos 70% dos hospitais tiveram fornecimento de água apenas uma ou duas vezes por semana e 63% reportaram falta de energia elétrica, sendo que 164 mortes foram atribuídas a esses problemas.

“Lamentavelmente, a arrogância de nosso governo nos tornou o país mais vulnerável para combater o coronavírus, o que menos está preparado na América Latina. De cada dez remédios necessários para combater doenças, cinco estão em falta”, afirma o médico, que deixou a Venezuela no ano passado.

No começo de março, a presidente da Sociedade Venezuelana de Infectologia já havia alertado para o impacto do coronavírus. “Não quero fazer projeções, mas o impacto seria relevante, já que os recursos são precários”, afirmou María Graciela López. Segundo a agência France Presse, no Hospital Clínico Universitário de Caracas, os pacientes são recebidos em corredores mal iluminados, enquanto funcionários carregam potes de água, pois o sistema de fornecimento não funciona. O local é um dos 46 sob supervisão militar que o governo designou para atender casos da covid-19.

“Considerando os hospitais públicos e privados, há apenas 80 leitos de UTI disponíveis, ou seja, se muita gente precisar de auxílio respiratório, será o caos”, diz Marquina. Segundo a Rede Defendamos a Epidemiologia Nacional, o número de leitos em UTI em hospitais de referência escolhidos pelo governo é de 206, sendo que metade está em Caracas. Em 53% dos hospitais, não havia máscaras no início de março e 90% carecem de um protocolo para o coronavírus, de acordo com pesquisa da ONG Médicos pela Saúde.

Até quarta-feira, a Venezuela tinha 36 casos confirmados de coronavírus, mas nenhuma morte informada. O governo de Nicolás Maduro pediu às pessoas que não saiam de casa e declarou “quarentena total”. Os voos para o exterior estão quase totalmente suspensos e as aulas foram interrompidas.

“Não há um modelo matemático para prever como será o crescimento dos casos na Venezuela. Mas, qualquer que seja o modelo, a Venezuela não tem capacidade de responder”, explica Marquina. “Os serviços de apoio a diagnósticos apresentam falhas importantes na operação e isso afeta a capacidade dos hospitais de realizar desde estudos mais básicos até os mais complexos, o que significa para o paciente não ter diagnósticos a tempo, tendo que por vezes pagar para saber se possui determinada doença”.

Segundo estudo da rede de atendimento, 58% das máquinas de raio X da Venezuela estão inoperantes, ou seja, mais da metade dos hospitais de referência não tem capacidade de fechar diagnósticos de doenças na região do tórax. Entre abril e junho de 2019, com o aumento dos apagões, o serviço ficou ainda pior.

No caso dos laboratórios, 55% estão inoperantes. Segundo a pesquisa, 85,6% dos serviços de tomografia e ressonância magnética não funcionam – apenas 10% operam de forma completa. “O sistema não era perfeito antes (da era Maduro), mas fizemos levantamentos do que era necessário mudar e Maduro não deu importância. Teve muita deterioração do sistema durante a crise. Hoje, há uma debilidade grande”, afirma Marquina. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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