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Filme ‘Emily’ revisita universo criativo das irmãs Brontë

A australiana nascida na Inglaterra Frances O’Connor baseou-se não propriamente num livro – O Morro dos Ventos Uivantes -, mas na vida da autora, Emily Brontë,...

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Por Agência Estado

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Dois filmes ligados a livros viscerais estreiam nos cinemas nesta quinta, 5, a primeira do ano. O afegão Atik Rahimi baseou-se no premiado livro da escritora ruandesa – e tutsi – Scholastique Mukasonga, Nossa Senhora do Nilo (Nós), que reconstitui o clima de ódio que levou ao genocídio da etnia pelos hutus, em Ruanda, no começo dos anos 1990.

A australiana nascida na Inglaterra Frances O’Connor baseou-se não propriamente num livro – O Morro dos Ventos Uivantes -, mas na vida da autora, Emily Brontë, mostrando como a garota criada nas charnecas inglesas escreveu a obra mítica que tem desafiado o tempo. Frances lembra que tinha 15 anos e estudava numa escola católica da Austrália quando leu o livro.

“Como milhões de leitores ao longo do tempo, fiquei impactada pela complexidade da obra, que tinha tudo a ver com sentimentos que eu, como adolescente, estava vivenciando. Mas nunca pensei em adaptar o livro, nem pensava em ser diretora. Tornei-me atriz e só bem mais tarde, passada dos 40, o desejo surgiu. Levei mais de dez anos para concretizá-lo.”

Frances conta sua história de forma atravessada – o livro através da autora, Emily. Em 1978, o francês André Téchiné já havia realizado As Irmãs Brontë, contando a história de Emily, Charlotte e Anne e tentando decifrar o mistério – como as filhas de um modesto pároco interiorano se tornaram grandes escritoras? Emily, O Morro dos Ventos Uivantes; Charlotte, Jane Eyre; e Anne, A Senhora de Wildfell Hall. Les Soeurs Brontë reconstituía toda uma época. Naquele momento, já havia um culto ao jovem Téchiné e Roland Barthes, um dos oficiantes, aceitou ser Tackeray na história que o diretor contava por meio de cenas fortes.

A pergunta que não quer calar – Frances viu o Téchiné? “Sabia, claro, da existência do filme, mas recusei-me, de uma forma muito consciente, a vê-lo. Não queria ser influenciada de nenhuma maneira. Aparelhei-me de outras formas, lendo tudo o que podia sobre as irmãs, além de seus livros, naturalmente.” Foi assim que surgiu a história de Emily e do seu romance com um assistente do pai, William Weightman.

O filme começa com a reação da irmã, Anne, ao livro publicado. Segue-se o flash-back. Talvez valha a pena lembrar a carreira de atriz de Frances O’Connor. Seu papel mais famoso foi a Fanny Price de Jane Austen na adaptação de Mansfield Park pela canadense Patricia Rozema, mas ela também foi Emma Bovary em outra adaptação – de Madame Bovary, a obra-prima de Gustave Flaubert.

Na ficção de Frances O’Connor, Emily faz uma dura crítica ao livro que o irmão tenta escrever, à sombra dessas irmãs tão talentosas. Ele reage com fúria, de um jeito que traz consequências graves à vida familiar e amorosa de Emily. Como Flaubert, que dizia “Madame Bovary sou eu”, Emily poderia dizer que não apenas o irmão, mas Charlotte, Anne e ela própria foram Heathcliff, em diferentes momentos, e o que significa isso? “O amor destrutivo, a paixão – a incompreensão, o não pertencimento.” É possível amar e causar dano ao objeto de nossa adoração? “Li muito para fazer o filme. Escolhi o foco, mas é a minha versão. Tenho certeza de que muitos especialistas não concordarão comigo, mas meu maior desejo é que mais e mais jovens leiam o livro com o mesmo entusiasmo que eu.”

E Frances conta: “Morava numa região montanhosa da Austrália, na região de Perth. Pegava o ônibus escolar, uma viagem de mais de uma hora. Lia o livro e a própria paisagem áspera que percorria me jogava dentro da história. Aquele vento, aquelas paixões intensas, tudo inflamava a imaginação da jovem que eu era”.

Ela lembra que poderia ter feito o filme há dez anos, mas vacilou. “Nós, mulheres, somos muito cobradas, às vezes é preciso tempo para nos dar a coragem de ousar se desafiar.” Uma cena-chave é a da máscara na brincadeira familiar, quando Emily evoca o fantasma da mãe. Toda a tormenta familiar – e a do livro – está ali delineada.

Química

Não existem evidências do romance entre Emily e William. Frances sabia do risco, mas defende-se. “Nunca foi minha ideia fazer uma biografia convencional.” Como a ligação de Cathy e Heatchcliff, a de Emily e William Weightman, pároco como seu pai, é marcada pelo desejo, mas também pela desavença e pela tragédia. “Inicialmente, a ligação deveria ser de William e Charlotte, e isso aumentou a rivalidade das duas.” Frances destaca dois fatores – a paisagem e o elenco. “A paisagem é personagem decisiva.” Ela filmou em Yorkshire e Cumbria. Sobre seus atores, só tem elogios. “A química entre Emma Mackey e Oliver Jackson-Cohen superou minha expectativa. Deram alma a Emily e William.”
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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