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Meia volta, volver – por Caio Gottlieb

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Para manter-se fiel à promessa de campanha de acabar com o promíscuo “toma lá dá cá” que se tornou prática costumeira nas relações entre o poder executivo e o poder legislativo no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro vinha se recusando a negociar seus projetos no Congresso Nacional na vã ilusão de aprová-los sem dever nenhum favor a deputados e senadores.

Cabe esclarecer que não se trata, aqui, de negociação no sentido pejorativo que a expressão ganhou no mundo político, mas de diálogo, articulação e entendimento em torno de pautas sociais e econômicas de interesse da nação, como ocorre nos regimes democráticos no mundo inteiro.

De qualquer maneira, o fato é que, em pouco mais de um ano de mandato, o resultado dessa postura intransigente é uma administração sem uma base sólida de sustentação, uma coleção de derrotas nas duas casas do parlamento e um balanço de realizações muito aquém das expectativas.

O pior de tudo é que agora, para garantir a governabilidade e escapar dos diversos pedidos de impeachment que assombram o Palácio do Planalto sem depender da benevolência do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, com quem está em guerra aberta, Bolsonaro vê-se obrigado a entregar os anéis e os dedos para o famoso Centrão, o esfomeado bloco fisiológico formado por um agrupamento de siglas que aguarda ansioso para trocar seus votos por cargos em ministérios e órgãos federais que administram polpudas verbas públicas.

Se o presidente tivesse feito isso lá atrás, quando sua popularidade e seu cacife político estavam nas alturas, teria saído bem mais barato e grande parte das principais propostas e reformas do seu plano de governo já estaria em vigor, produzindo efeitos extremamente benéficos para o país.

Sejamos realistas: a arena política, é óbvio, não pode ser um covil de ladrões, mas jamais será um convento de freiras.

Não adianta esbravejar nas ruas contra o Congresso Nacional. Seus integrantes, os bons e os maus, não surgiram do acaso. Foram colocados lá com o meu e o seu voto. E o presidente, se quiser governar, terá que conversar com eles. Goste ou não.

C’est la vie.

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