Arcabouços fiscais devem ter limites e garantir credibilidade, diz Campos Neto

Durante evento promovido pela Bloomberg, ele pontuou que os economistas tiveram dificuldade em antecipar os efeitos da injeção de US$ 3 trilhões no mundo para resgatar...

Publicado em

Por Agência Estado

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, abriu uma apresentação nesta sexta-feira, 18, na capital paulista, apontado as origens da inflação mais persistente no mundo. Segundo Campos Neto, embora o Brasil tenha investido em reformas nos últimos três anos, outros grandes países perderam apetite em realizar reformas estruturais, ao mesmo tempo em que as políticas monetárias e fiscais passaram a ser mais acionadas para sustentar as economias.

Durante evento promovido pela Bloomberg, ele pontuou que os economistas tiveram dificuldade em antecipar os efeitos da injeção de US$ 3 trilhões no mundo para resgatar a economia do impacto da pandemia, levando a uma migração da demanda para bens de consumo, com consequências na demanda por energia.

O presidente do BC sustentou que, ao mesmo tempo em que a inflação ainda merece atenção, os arcabouços fiscais deveriam ter limites para garantir a estabilidade, já que os países precisam agora pagar a conta da crise sanitária e suas consequências nas dívidas dos países. Os mercados, observou Campos Neto, estão agora interessados em saber qual o plano dos países para a convergência da dívida.

Precificação de Selic mais alta

Campos Neto disse ainda que a precificação de uma Selic mais alta pelo mercado se deve a incertezas fiscais. “É muito difícil para os mercados entender qual será o arcabouço fiscal à frente”, comentou, acrescentando que o ano deve fechar com números melhores do que o esperado nas contas públicas. “A fotografia do fiscal é boa, mas o problema é que grande parte dos programas está se tornando permanente.”

Sugerindo que seria importante uma coordenação de política monetária e fiscal neste estágio do ciclo, Campos Neto ponderou que o cenário do BC pode mudar a depender do que for decidido em relação ao arcabouço fiscal.

Depois de o Brasil ter sido “muito rápido”, segundo ele, na alta dos juros, Campos Neto afirmou que parte dos efeitos do aperto monetário vai acontecer no ano que vem. O presidente do BC comentou que a maior parte do alívio da inflação se deve a desonerações do governo, e mesmo com alguma melhora qualitativa da inflação no Brasil não há razão para celebrar neste momento.

Embora existam alguns sinais positivos na inflação de serviços subjacentes, Campos Neto reforçou a necessidade de o BC persistir no combate à inflação.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

Sair da versão mobile
agora
Plantão CGN
X