Juros: DIs saltam com indefinições da equipe econômica de Lula e exterior

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2024 voltou a rodar na casa de 13%, o que não era visto desde 21...

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Por Agência Estado

Após encerrar a semana passada em movimento de “flattening”, a curva de juros voltou a ganhar inclinação nesta segunda-feira essencialmente em razão da cautela sobre a formação da equipe econômica do novo governo e expectativa para a apresentação da PEC da Transição.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2024 voltou a rodar na casa de 13%, o que não era visto desde 21 de setembro (13,08%), fechando hoje em 13,035% (regular e estendida), de 12,938% no ajuste de sexta-feira. O DI para janeiro de 2025 terminou com taxa de 11,91% (regular) e 11,90% (estendida), de 11,72%, e a do DI para janeiro de 2027 fechou a 11,73% (regular) e 11,72% (estendida), de 11,46%.

As taxas já subiam desde a abertura nesta segunda-feira em que Lula começou efetivamente a participar da transição, após período de descanso na Bahia. A equipe lhe apresentou a proposta que pressupõe um ‘waiver’ para gastos acima do teto no ano que vem a fim de acomodar as principais promessas de campanha para ser avalizada.

Após reuniões com parlamentares e técnicos, o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin, teria defendido que tudo seja feito via Proposta de Emenda à Constituição (PEC) e não por crédito extraordinário via Medida Provisória (MP). A PEC é vista como um caminho mais seguro, apesar do desconforto de integrantes do governo eleito de iniciar o mandato já contando com a boa vontade do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Uma ala do PT estaria pressionando também para que a proposta já traga um valor fechado do extrateto, para afastar o temor fiscal no mercado, de que seja um “cheque em branco” para aumentar os gastos.

Por mais que a equipe de transição afirme que tudo será feito com responsabilidade fiscal, independentemente de quem seja o escolhido, o nome de quem vai comandar a pasta, na visão do mercado, é o principal fiador da linha que será adotada. Não à toa, na sequência da notícia sobre Meirelles, o jornal O Globo trouxe que a cúpula do PT estaria pressionando pelo ex-ministro da Educação Fernando Haddad na Fazenda, o que fez o mercado piorar ainda mais. Haddad é associado a uma postura mais heterodoxa na área fiscal.

No que se refere à transição, na seara econômica, estariam sendo articulados os nomes de Pérsio Arida e André Lara Resende, idealizadores do Plano Real e considerados liberais; além de Nelson Barbosa, ex-ministro da Fazenda de Dilma Rousseff (PT) e visto como “heterodoxo” por setores do mercado.

O cenário fiscal ainda em aberto é considerado um dos grandes empecilhos a nublar o cenário para cortes da Selic no ano que vem, o que deixa a ponta curta da curva um tanto engessada.

Do exterior, os juros dos Treasuries estavam bem comportados no início do dia, mas passaram a subir com o mercado adotando postura defensiva antes de discursos de vários membros do Federal Reserve ao longo da semana e da agenda de indicadores, que terá como destaque o índice de preços ao consumidor (CPI, em inglês) na quinta, 10. No fim da tarde, a taxa da T-Note de dez anos retomava os 4,20%.

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