Partidos da base de Tarcísio já se articulam para comandar a Assembleia

Ainda que oficialmente as legendas digam que essa discussão não está consolidada, as novas bancadas já testam alguns nomes para a disputa. O pastor Gilmaci Santos...

Publicado em

Por Agência Estado

Os novos integrantes da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) adiantaram as articulações para definir quem vai presidir a Casa a partir de 2023. A cadeira é ocupada pelo PSDB e partidos aliados ao menos desde 1991, mas o encolhimento da legenda nas últimas eleições e a mudança do governo estadual fez a vaga ser cobiçada pela sigla do governador eleito Tarcísio de Freitas, do Republicanos, e pelo PL, que terá o maior número de parlamentares na próxima legislatura.

Ainda que oficialmente as legendas digam que essa discussão não está consolidada, as novas bancadas já testam alguns nomes para a disputa. O pastor Gilmaci Santos (Republicanos), André do Prado (PL) e o atual presidente da Casa, Carlos Pignatari (PSDB), aparecem no topo da lista de possíveis indicações para a eleição, que deve ocorrer em março do ano que vem.

A configuração da Alesp que saiu das urnas neste ano marca a desidratação do PSDB, que elegeu apenas nove deputados. Será a terceira maior bancada (9), seguida do Republicanos (8). Por outro lado, a polarização nacional resultou em um avanço no número de parlamentares eleitos pelo PL e pelo PT, em comparação com 2018, com 19 e 18 deputados, respectivamente.

É com essa Assembleia que Tarcísio vai precisar articular para aprovar projetos a partir de 2023. A vitória do ex-ministro da Infraestrutura colocou o Republicanos e o PL, partido de Bolsonaro, como favoritos para presidir a Casa.

Além de entrar o novo ano com uma bancada menor, os tucanos enfrentam o descontentamento de outras siglas por causa da condução política do partido, que esteve à frente do governo estadual nos últimos 28 anos. Apesar disso, Pignatari tenta montar uma frente para garantir sua reeleição com legendas de centro, como MDB, Podemos, PP, Cidadania, e fechar com a esquerda. O acordo tenta manter o controle da 1.° secretaria, considerada importante.

“O cenário está em aberto, mas essa decisão certamente vai passar pelo Palácio dos Bandeirantes. Quem vencer vai precisar do PSDB”, defende a deputada estadual Carla Morando (PSDB). Mesmo após a adesão de tucanos à campanha de Tarcísio no segundo turno, aliados do governador eleito rechaçam a possibilidade de recondução de Pignatari.

Especialistas apontam que a redistribuição de poder após o domínio tucano na Casa ainda é incerta. A bancada do PL, que atuava com características mais próximas do Centrão, ficou inchada com a chegada de quadros bolsonaristas.

“Os grandes protagonistas na Alesp são o PL e o PT, mas tem de lembrar que o PL é um abrigo de diversos interesses. Está artificialmente crescido por causa do bolsonarismo”, diz o cientista político da FGV, Marco Antônio Teixeira.

“Você tem um grupo de esquerda que cresceu, mas você tem uma direita fortalecida também. A maior bancada elege o presidente, distribui proporcionalmente os cargos da mesa”, reforça. Teixeira também aponta que, apesar dos embates históricos entre PT e PSDB, os partidos encontraram espaços de negociação na Alesp, o que pode se repetir.

Distribuição

Com a maior bancada, o PL já se divide entre a indicação dos deputados estaduais André do Prado e Carlos Cezar, ambos reeleitos, para o comando da Casa. “A Presidência da Assembleia deve ficar com o PL ou com o Republicanos. Defendo que a cadeira fique com a maior bancada desde que entrei na Alesp”, afirma o deputado estadual Gil Diniz (PL), que também se diz favorável à distribuição proporcional das demais cadeiras da mesa diretora, o que não ocorreu em 2019.

Em conversas reservadas, os parlamentares dizem que o pastor da Igreja Universal, Gilmaci Santos (Republicanos), também estaria costurando apoios para ser o novo presidente da Alesp, e que Altair Moraes (Republicanos) seria o líder do governo. Pelo acordo, no segundo biênio eles trocariam as posições. Como o PL reivindica a mesma vaga, a disputa pode se transformar em um primeiro racha na eventual base governista de Tarcísio.

Para o deputado Luiz Fernando Teixeira (PT), a esquerda terá participação nas decisões da Casa, mesmo sem eleger o governador, por causa do tamanho da bancada eleita. Teixeira acredita que a nova composição deve privilegiar o debate e o melhor diálogo com o Palácio dos Bandeirantes. “Na composição das comissões permanentes e da mesa diretora, a proporcionalidade tem sido respeitada ao extremo na Alesp”, defende.

Já o PSD, apesar da bancada pequena, deve ter protagonismo no governo Tarcísio por causa da proximidade e presença do partido desde o início da campanha do candidato do Republicanos.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

Sair da versão mobile
agora
Plantão CGN
X