Juros caem na etapa regular com Treasuries e trégua no noticiário eleitoral

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2024 fechou em 12,96%, de 12,983% no ajuste anterior, e a do DI para janeiro...

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Por Agência Estado

Após subirem nas três últimas sessões, os juros de médio e longo prazos recuaram durante a sessão regular desta quinta-feira pós-Copom, embora o comunicado da política monetária não tenha trazido novidades capazes de alterar a expectativa para a Selic. As taxas curtas ficaram de lado e a queda das demais espelhou o movimento de baixa dos rendimentos dos Treasuries e a melhora no câmbio, além de algum alívio no pico das tensões com o cenário eleitoral atingido na quarta-feira. A opção do Tesouro por colocar lotes menores de prefixados para o leilão contribuiu ao não adicionar estresse.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2024 fechou em 12,96%, de 12,983% no ajuste anterior, e a do DI para janeiro de 2025 caiu de 11,91% para 11,83%. O DI para janeiro de 2027 terminou com taxa de 11,66%, de 11,80%.

Dado o acúmulo de prêmios desde segunda-feira, havia espaço para correção da alta nas taxas assim que surgisse algum gatilho lá fora ou que as tensões eleitorais parassem de escalar, mas o ajuste foi apenas parcial, com as taxas fechando nesta quinta ainda acima dos níveis do fim da semana passada.

Do exterior, a decisão e o comunicado de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) foram bem assimilados e, nos Estados Unidos, o foco ficou sobre a primeira leitura do PIB do terceiro trimestre. A economia americana cresceu 2,6% ante o período anterior, acima do consenso de 2,4%. Mais do que isso o índice de preços de gastos com consumo (PCE, em inglês) subiu à taxa anualizada de 4,2%, após avançar 7,3% no segundo trimestre. Já o núcleo avançou 4,5%, após alta de 4,7% no trimestre anterior. Em reação aos números, houve alívio na curva dos Treasuries, com a taxa da T-Note de 2 e 10 anos devolvendo em torno de 10 pontos-base. No fim da tarde, estavam em 4,30% e 3,90%.

Internamente, houve trégua no fluxo negativo do noticiário eleitoral, que vinha pressionando os ativos nos últimos dias. O desfecho dado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ao imbróglio das inserções de propaganda acabou enfraquecendo os temores de adiamento da eleição e de crise institucional. “A questão de que se iria ou não haver eleição deu uma esfriada, se consolidando a ideia de que o segundo turno ocorrerá”, disse o economista-chefe da Greenbay Investimentos, Flávio Serrano.

Nas mesas de renda fixa, comenta-se ainda que o tom moderado na quarta do presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição, no pronunciamento à noite ajudou a tranquilizar os investidores, que temiam uma fala mais destemperada diante do revés junto ao TSE, que rejeitou dar seguimento à ação em que a campanha de Bolsonaro acusa rádios de privilegiar as inserções do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Lula divulgou no fim da tarde desta quinta uma carta aberta, em que se compromete a combinar “política fiscal responsável” com “responsabilidade social e desenvolvimento sustentável”. A carta fala em seguir “regras claras e realistas” na política fiscal.

Divulgado com a sessão regular já encerrada, o documento provocou reação na etapa estendida do DI, com as taxas devolvendo parte da queda. Os agentes esperavam “algo mais concreto” e se decepcionaram com alguns pontos como as referência ao papel do BNDES, nova legislação trabalhista e política de crédito.

As taxas curtas pouco oscilaram com a decisão do Copom de manter a Selic em 13,75% amplamente precificada. Tampouco o comunicado gerou reação, tanto que, segundo Serrano, a precificação para o ciclo de corte da taxa básica em 2023 não mudou. “Para haver alguma mudança nesta expectativa a taxa do DI para janeiro de 2024 teria de mexer muito”, explicou. Assim, grosso modo, a curva segue projetando início do processo de distensão monetária a partir de maio do ano que vem.

A decisão do Tesouro de reduzir a oferta de prefixados endossou a trajetória descendente das taxas neste último leilão do mês de outubro. A instituição ofertou 5 milhões de LTN, ante 14 milhões na semana passada, e 650 mil NTN-F, de 1 milhão na quinta-feira anterior. O lote da LTN foi vendido integralmente. Nas NTN-F, o Tesouro colocou toda a oferta de 500 mil para 2029 e rejeitou todas as propostas na oferta de 150 mil títulos para 2033.

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