
Tragédia que chocou Cascavel, morte de Flávio Rotta, completa 23 anos
Tudo aconteceu no início da madrugada do dia 3 de junho de 1999, quando um menor de 17 anos, estaria fazendo a chamada “Roleta Paulista” –...
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Por Silmara Santos
Um grave acidente de trânsito que chocou os moradores de Cascavel, completou 23 anos no mês de junho. Flávio Sergio Rotta morreu após ter sido vítima da chamada “Roleta Paulista” em um acidente que ficou marcado pela violência no trânsito de Cascavel.
Tudo aconteceu no início da madrugada do dia 3 de junho de 1999, quando um menor de 17 anos, estaria fazendo a chamada “Roleta Paulista” – que é uma competição proibida em que um automóvel em alta velocidade atravessa os cruzamentos sem respeitar os semáforos. O adolescente dirigia um veículo Palio pela Rua Dom Pedro II e ao furar a preferencial com a Rua Minas Gerais colidiu contra um Fiat Uno dirigido por Flávio Sérgio Rotta, de 27 anos, que teve morte instantânea.
No veículo Palio haviam 3 ocupantes, o adolescente que conduzia o veículo foi socorrido em estado crítico pelo Siate e encaminhado para o Hospital São Lucas, onde foi internado na Unidade de Terapia Intensiva. O segundo passageiro que também era adolescente foi encaminhado ao Hospital Nossa Senhora da Salete e apenas o terceiro passageiro, que era o mais novo dos três teve ferimentos leves.
Na época, o delegado adjunto, Walter Diniz Paes, que respondia pelo plantão policial, ao receber a informação de que um menor dirigia o veículo Pálio envolvido no acidente e que poderia estar fazendo “roleta paulista”, disse aos jornalistas, que caso fossem comprovados tais agravantes, o motorista responsável pelo acidente poderia ser processado por homicídio doloso (quando se assume a intenção de cometer o crime) cuja pena poderia chegar a 20 anos de detenção.
Os adolescentes tinham acabado de sair de um estabelecimento comercial na Avenida Brasil onde teriam comprado bebida alcoólica. Saíram do local de carro e teriam passado duas preferenciais seguidas sem parar e nem medir consequências até o cruzamento com a Rua Minas Gerais quando atingiram o Fiat Uno em que Flávio Rotta estava.
Na época, Cláudio Rotta, irmão da vítima fatal, declarou que chegou a assistir de longe o acidente entre o Palio e o Fiat Uno de Flávio.
“Eu cheguei a fazer sinal de luz para o motorista do Palio, quando ele passava por mim sem respeitar a preferencial, onde eu estava. Quando vi a batida, jamais suspeitava que naquele momento estava perdendo meu irmão”, afirmou Cláudio.
Trecho de reportagem da época
Com o impacto da colisão, Flávio Rotta foi lançado para fora de seu veículo que capotou violentamente. Não se sabe ao certo se ele faleceu com o choque entre os dois veículos ou quando seu corpo bateu no chão.
Após a batida, o veículo Palio se projetou contra uma residência, arrebentando o muro e invadindo parte da cozinha da casa que ficava na esquina.
Comoção
O corpo de Flávio Rotta foi velado na Acesc e sepultado no Cemitério São Luiz. A comoção tomou conta do funeral e quase toda a cidade acompanhou o último adeus ao jovem.
O inquérito policial
No dia 10 de junho de 1999 foi noticiado pela imprensa que a Polícia Civil apurou em inquérito as circunstâncias do acidente e que os pais do adolescente que conduzia o veículo Palio, Carlos Sbaraíni Neto e Claudete Fátima Sbaraíni seriam indiciados já que o condutor do veículo era menor de idade.
O Ministério Público solicitou cópia do Boletim de Ocorrência para obter detalhes do relatório da equipe da Polícia Militar que esteve no local do acidente. A Secretaria de Segurança Pública do Paraná pediu ao então chefe da 15ª Subdivisão Policial de Cascavel, delegado Luiz Alberto Cartaxo, total empenho no caso.
Os peritos do IML (Instituto Médico Legal) coletaram sangue do adolescente para verificar o consumo de álcool e substâncias tóxicas no organismo do jovem.
O então advogado da família Sbaraini, Adelino Marcon, disse à imprensa no dia 10 de junho que estava aguardando o desenrolar dos fatos para agir em defesa da família no caso. Por outro lado, a família de Flávio Rotta se mostrou disposta a brigar na Justiça para que os responsáveis fossem punidos.
Depoimento de Sbaraíni
No dia 16 de junho de 1999 Carlos Sbaraíni, pai do adolescente que provocou o acidente que vitímou Flávio Rotta, na madrugada do dia 3 de junho, compareceu à delegacia para prestar depoimento.
Carlos foi indiciado no inquérito e responderia por homicídio culposo (quando não há intenção de matar) já que o filho é menor de idade.
Sbaraíni declarou a polícia que não entregou a chave do carro ao filho, que não tinha habilitação para dirigir.
“Eu sempre mantive a chave escondida, para que ele não saísse. Naquela noite meu filho descobriu onde a chave estava, e sem que nós percebêssemos, pois estávamos dormindo, tirou o Palio da garagem e saiu. Sempre fomos contra esse tipo de atitude e estou sofrendo muito com tudo que aconteceu”, lamentou Carlos.
Trecho de reportagem do Jornal Gazeta do Paraná do dia 17 de junho de 1999.
O adolescente já estava se recuperando bem dos ferimentos do acidente.
Na mesma reportagem Carlos Sbaraíni Neto declarou que se tivesse sido mais rigoroso com o filho, poderia ter evitado a tragédia.
“Ainda não conversei com a família do rapaz que faleceu, mas estou disposto a resolvermos o impasse da melhor maneira possível”.
Trecho da reportagem do Jornal Gazeta do Paraná do dia 17 de junho de 1999.
Os adolescentes envolvidos no acidente foram vistos na loja de conveniências do Posto Maçarico na Avenida Brasil. Segundo reportagens feitas pela imprensa na época dos fatos, eles teriam consumido cerveja no local.
A Polícia Civil solicitou uma relação com os nomes dos funcionários que trabalhavam no local no dia do acidente para esclarecer se houve ou não o consumo de bebida alcoólica por parte dos envolvidos.
No dia 22 de junho de 1999 foi publicado a notícia que o Delegado Walter Diniz Paes, mandou intimar as testemunhas que faltavam para concluir o inquérito da morte de Flávio Rotta. A notícia da troca de comando da 15ª Subdivisão Policial fez com que a investigação fosse acelerada.
O então Delegado Walter Diniz informou que o inquérito foi instaurado um dia depois da morte de Flávio e que o documento já tinha mais de 70 páginas com fotos, declarações e laudos. Nesse dia ainda seriam ouvidas mais seis pessoas, quatro eram funcionárias do Posto Maçarico que estavam trabalhando naquela madrugada e os outros dois adolescentes que estavam no veículo no dia do acidente.
O empresário Carlos Sbaraíni Neto, pai do adolescente, alegou novamente que o filho teria pego a chave do veículo escondido e o adolescente, que também prestou depoimento, teria confirmado a versão do pai e disse que não havia consumido muita bebida alcoólica se referindo a duas latinhas de cerveja.
Cláudio Rotta, irmão de Flávio, foi considerado uma das testemunhas mais importantes do caso, já que ele teria visto quando o veículo Palio cruzou a preferencial da Rua Minas Gerais e bateu contra o Fiat Uno. Somente quando Cláudio chegou ao local percebeu que se tratava do corpo do seu irmão caído no chão ao lado do Fiat Uno.
Na sequência o inquérito foi remetido ao Ministério Público, a Vara da Infância e da Juventude para que fossem tomadas as providências cabíveis.
Esse caso gerou muita comoção por se tratar de um adolescente de classe alta que provocou a morte de uma pessoa no trânsito.
No decorrer da pesquisa sobre o caso, a reportagem da CGN tentou contato com as duas famílias, mas não obteve retorno, entretanto, o espaço segue aberto para outras explanações.
As informações contidas nesta matéria foram apuradas nos conteúdos publicados pela imprensa na época dos fatos.
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