Dólar sobe a R$ 5,2380 e acumula valorização de 10,15% em junho

Lá fora, o dia foi marcado por aversão ao risco, em meio a temores de recessão global na esteira do aperto monetário em países desenvolvidos para...

Publicado em

Por Agência Estado

Após esboçar uma queda pontual ao longo da tarde, o dólar se firmou em terreno positivo na última hora de negócios e encerrou o pregão desta quinta-feira, 30, o último de junho, em alta de 0,80%, cotado a R$ 5,2348. Apesar de ter terminado a semana em leve baixa, de 0,34%, a divisa encerrou o mês com valorização de 10,15% – o maior avanço mensal desde março de 2020 (16,03%). Embora tenha permanecido com sinal positivo na maior parte do dia, o dólar oscilou quase dez centavos entre a máxima (R$ 5,2710) e a mínima (R$ 5,1880) – o que sinaliza o mercado ainda em busca de um novo parâmetro para a taxa de câmbio.

Lá fora, o dia foi marcado por aversão ao risco, em meio a temores de recessão global na esteira do aperto monetário em países desenvolvidos para combate à inflação. Investidores abandonaram bolsas e commodities e correram para se abrigar nos Treasuries, cujas taxas tombaram.

A T-note de 10 anos, principal ativo do mundo, chegou a furar o piso de 3%. O índice DXY – que mede o desempenho do dólar frente a seis divisas fortes – trabalhou em queda firme, ao redor dos 104,700 pontos, com perdas maiores ante o euro e o iene. A moeda americana subiu na comparação as divisas emergentes e de exportadores de commodities, com ganhos maiores frente o real.

A aguardada leitura do índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) em maio – medida de inflação preferida pelo Fed – não abalou a perspectiva de nova alta da taxa básica americana em 75 pontos-base. O núcleo, que exclui itens mais voláteis como alimentos e energia, avançou 0,3%, abaixo das expectativas. Na comparação anual, o núcleo desacelerou de 4,9% em abril para 4,7% em maio. As dúvidas são o tamanho da desaceleração da economia americana e, por tabela, global em meio ao processo desinflacionário.

Para o economista-chefe do Banco Fibra, Cristiano Oliveira, o PCE não trouxe grandes novidades, uma vez que um arrefecimento marginal da inflação na ponta já era esperado. Ele chama a atenção para a leitura do mercado de que o aperto monetário conduzido pelo Fed neste ano deve conter a inflação e permitir até um corte de juros nos EUA em 2023.

“A estimativa de juro terminal em 2023 caiu cerca de 30 pontos-base em poucos dias. O mercado talvez esteja adiantando muito essa desaceleração da inflação nos Estados Unidos. As taxas dos Treasuries caíram muito”, afirma Oliveira, que vê o tombo do dólar frente a pares fortes nesta quinta como reflexo da perspectiva de perda de fôlego da economia americana.

Oliveira atribui o tombo do real em junho à onda de fortalecimento global da moeda americana no exterior ao longo do mês e à perda de fôlego dos preços das commodities. Ele também observa que Banco Centrais de outros países emergentes começaram a apertar suas políticas monetárias, aumentando a competição por recursos de investidores estrangeiros.

“Além disso, a relação risco e retorno mudou porque a volatilidade da nossa taxa de câmbio aumentou muito. Outras moedas da região, como o peso chileno, tiveram desempenho melhor no segundo trimestre”, afirma o economista do Fibra, acrescentando que há também o peso da questão eleitoral, dado o risco de escalada populista levando em conta o perfil dos dois principais candidatos, o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula. “Não que esse seja o meu cenário, mas é um risco que está presente para o mercado”.

Por aqui, houve a disputa técnica pela última Ptax de junho e a rolagem do vencimento dos contratos futuros de dólar, o que adicionou volatilidade aos negócios, segundo operadores. Investidores recompuseram posições defensivas em meio à expectativa para aprovação da PEC dos Combustíveis no Senado, cuja votação está prevista para esta noite. A oposição faz uma ofensiva para tirar do texto o decreto de estado de urgência, que supostamente blindaria o presidente Jair Bolsonaro de sanção pela Lei Eleitoral por aumento de programas sociais.

“Inicialmente, o mercado recebeu bem o texto da PEC dos Combustíveis. Mas o clima ainda é de muita insegurança. Existe essa contestação ao estado de emergência, porque abriria a porta para o governo gastar ainda mais em ano eleitoral. Isso bate no risco-país e no câmbio”, afirma a economista Bruna Centeno, da Blue 3.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

Sair da versão mobile
agora
Plantão CGN
X