Juros: Taxas acompanham Treasuries e caem com risco de recessão global no radar

As entrevistas do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e do diretor de Política Econômica, Diogo Guillen, de tom levemente “hawk”, foram consideradas de impacto...

Publicado em

Por Agência Estado

Os juros fecharam a quinta-feira em queda, espelhando novamente o comportamento dos Treasuries, com recuo nos yields, mesmo com o dólar ganhando força ao longo do dia. O risco de recessão global, hoje alimentado por dados da economia americana e também na Europa abaixo do esperado, em meio ao aperto monetário pelos principais bancos centrais, segue estimulando a demanda pela renda fixa tanto aqui quanto lá fora e pressionando para baixo também os preços do petróleo.

As entrevistas do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e do diretor de Política Econômica, Diogo Guillen, de tom levemente “hawk”, foram consideradas de impacto neutro na curva, embora tenham esclarecidos pontos importantes do comunicado e da ata do Copom.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 fechou a sessão regular a 13,51%, de 13,553%. A taxa do DI para janeiro de 2024 cravou a quarta sessão seguida de baixa, fechando em 12,99%, na mínima, e voltando a ficar abaixo de 13% pela primeira vez desde 1º de junho (12,975%). A do DI para janeiro de 2025 caiu de 12,309% para 12,225% e a do DI para janeiro de 2027, de 12,234% para 12,18%.

As taxas não mostravam uma tendência clara no começo da sessão e um recuo mais firme começou a se desenhar no fim da primeira etapa, acompanhando as mínimas dos Treasuries. A taxa da T-note de dez anos passou a flertar hoje com os 3%, ante o nível de 3,15% ontem. Os PMIs norte-americanos abaixo do esperado deram força à ideia de que uma ação mais incisiva do Federal Reserve, necessária para combater a inflação, aumenta o risco para uma economia que parece já estar se enfraquecendo. Mais cedo, PMIs também fracos no Reino Unido e zona do euro já endossavam o pessimismo sobre o PIB global.

“O cenário é muito negativo. A expectativa para juro americano é que deva subir a pelo menos 3,75% até o fim do ano, mas há membros que defendem algo na faixa de 4% a 4,25%, o que na minha avaliação é algo mais prudente para garantir uma redução mais rápida da inflação”, comentou o economista-chefe da JF Trust, Eduardo Velho.

O impacto do cenário externo acabou prevalecendo ante a piora de percepção de risco fiscal em função do ano eleitoral. Além do ‘bolsa caminhoneiro’ de até R$ 1 mil, agora o governo fala em incrementar o valor do Auxílio-Brasil de R$ 400 para R$ 600, retirando a compensação a Estados que reduzissem o ICMS sobre diesel e gás de cozinha.

Já as declarações dos dirigentes do BC reforçaram hoje a ideia de que o ciclo está no fim e depois disso a Selic deverá passar por um bom período de hibernação, antes de começar a cair. Guillen, do BC, afirmou que o cenário de Selic estável por todo horizonte relevante teria efeito de baixar a projeção de IPCA de 2023, atualmente em 4,0%, em 0,30 ponto porcentual. Ele reforçou que o BC está brigando por inflação em 2023 mais próxima do centro da meta (3,25%) do que sua projeção atual de 4%. Disse ainda que o BC foi claro “na estratégia para chegar ao redor da meta”. “Ao redor é menos que 4%”, detalhou.

Campos Neto esclareceu que o ano de 2024 ainda não está no horizonte relevante e estimativas sobre o ano foram incluídas no comunicado e na ata porque aumentaram as incertezas, o que pode ter influência no longo prazo. “Decidimos mostrar 2024 por transparência. A incerteza está acima do usual. Não estamos mudando horizonte relevante”, afirmou.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

Sair da versão mobile
agora
Plantão CGN
X