Juros: Taxas encerram de lado, após alta durante o dia sob pressão do exterior

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 fechou em 13,37%, de 13,385% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro...

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Por Agência Estado

Os juros futuros fecharam a sessão regular de lado, após passarem a maior parte do dia em alta moderada, determinada pelo exterior, corrigindo parte do movimento de ontem e alinhadas à reação dos ativos ao salto da inflação ao consumidor nos Estados Unidos em maio maior do que o esperado e que pode levar a uma ação mais agressiva do Federal Reserve já na reunião da semana que vem. No fim da sessão regular, porém, ajustes técnicos junto com uma melhora no câmbio levaram à zeragem da alta. Já para o Copom, o mercado está bem ajustado para uma alta de 0,5 ponto porcentual da Selic na próxima quarta-feira. No balanço da semana, a curva teve forte aumento de inclinação.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 fechou em 13,37%, de 13,385% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2024 fechou em 12,99%, estável. O DI para janeiro de 2025 encerrou com taxa de 12,495%, mesmo nível de ontem, e a do DI para janeiro de 2027 passou de 12,47% para 12,49%. Na semana marcada pela piora do risco fiscal, cautela no exterior e IPCA aquém da mediana das estimativas, as taxas curtas ficaram estáveis e as longas avançaram cerca de 20 pontos-base em relação ao fechamento da última sexta-feira.

A reação negativa dos DIs ao que acontecia no exterior foi se dando ao longo do dia. Num primeiro momento, ainda sob o efeito do IPCA ontem abaixo da mediana das estimativas, as taxas se estabilizavam perto dos ajustes anteriores até meados da manhã, mas passaram a subir na medida em que os Treasuries começaram a renovar máximas, por sua vez, na esteira do aumento das apostas que o Federal Reserve poderá elevar o juro em 75 pontos-base já no encontro da semana que vem.

O índice de preços ao consumidor (CPI, em inglês) saltou de 0,3% em abril para 1% em maio, ante consenso de 0,7%. “Número altíssimo. Padrão brasileiro”, destacou Alexandre Póvoa, da Meta Asset. Em termos anuais, chegou a 8,6%, pico desde 1981. “Os mercados sofrerão enquanto esse processo de ajuste (do Fed) não ficar definido. Ruim para as bolsas e para as curvas de juros e dólar fortalecido no mundo”, acrescentou.

Na reta final da sessão regular, com o dólar voltando à casa de R$ 4,97, distante da máxima acima de R$ 5 atingida mais cedo, e com os yields das T-Notes longas saindo também das máximas, a abertura da curva doméstica perdeu fôlego com ajustes técnicos de posição.

Para a economista-chefe da B.Side Investimentos, Helena Veronese, mais do que ficar acima do consenso, o que mais impressionou no CPI foi o ritmo de alta de um mês para outro, dando a dimensão do desafio do Federal Reserve. “Os ativos traduzem a dúvida do mercado sobre se o Fed conseguirá controlar a inflação e as expectativas. E, se conseguir, seja pelas ações e seja pelo discurso, será muito positivo para o Brasil”, afirma. “A inflação alta nos EUA é ruim para o mundo todo”, disse.

Caso as ações e a comunicação, não somente do Fed como dos outros BCs, sejam efetivas para reduzir a inflação global, o Copom não precisaria esticar tanto o aperto da Selic. Na pesquisa do Projeções Broadcast com 50 instituições, 46 preveem elevação de 0,5 ponto na quarta-feira, o que levaria a taxa básica para 13,25%, que também é a mediana para o fim de 2022.

A piora do risco fiscal, porém, deve levar o Copom a deixar ao menos a porta aberta para mais altas à frente, como precificado na curva do DI, mesmo com a surpresa positiva com o IPCA de ontem. “O pacote para combustíveis é mais inflacionário do que desinflacionário, porque devolve a inflação para 2023, e ainda pressiona o câmbio”, disse Veronese.

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