Lagarde: BCE pressiona bancos na zona do euro a levar riscos climáticos a sério

Em painel durante a conferência Green Swan, organizada pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS), a dirigente afirmou que nenhum banco na região está próximo de alcançar...

Publicado em

Por Agência Estado

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou, nesta quarta-feira, dia 1º, que a autoridade monetária tem pressionado o sistema bancário na zona do euro a levar a sério os riscos decorrentes das mudanças climáticas.

Em painel durante a conferência Green Swan, organizada pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS), a dirigente afirmou que nenhum banco na região está próximo de alcançar as metas estabelecidas pelo BCE sobre divulgações de riscos climáticos.

Lagarde lembrou que, no ano passado, o BC europeu conduziu testes de estresse para avaliar a vulnerabilidade do setor financeiro às transformações do clima. Segundo ela, com base nos dados do estudo, ignorar o problema aumentaria os riscos de falências de bancos.

A banqueira central acrescentou que o BCE passou a integrar os riscos climáticas nos modelos de projeções e análises macroeconômicas.

Christine Lagarde também afirmou que a autoridade monetária não desistiu da ideia de criar um programa de empréstimos verdes. O programa seria um instrumento para fornecer crédito de juros baixos para incentivar empresas a cortarem a emissão de carbono.

A dirigente reconheceu que alcançar um consenso nessa área seria difícil, por conta das diferentes visões sobre o assunto. No entanto, para ela, um acordo é possível.

“Inflação verde’

Lagarde rejeitou a ideia de que a estabilidade de preços no curto prazo esteja sendo ameaçada pela chamada “inflação verde”, isto é, os efeitos do processo de transição a uma economia menos dependente de emissão de carbono. Ela explicou que a maior parte da recente escalada inflacionária é causada, na verdade, por energia originada de combustíveis fósseis.

“O problema real que temos é a dependência ao pequeno, e algumas vez hostil, número de fornecedores de energia fóssil no momento”, disse, em aparente referência à Rússia, da qual a União Europeia busca reduzir importações de commodities como resposta à invasão da Ucrânia.

Lagarde defendeu que, no médio prazo, as pressões de custos relacionadas à transição verde serão “mais fortes”. Segundo ela, o mundo precisará de metas mais ambiciosas para mitigar o aquecimento global. “Transição será inflacionária no médio prazo, mas há grandes oportunidades para empresas”, disse.

Guerra

No painel, a presidente do BCE afirmou, ainda, que a guerra da Rússia na Ucrânia deve acelerar os esforços de diversificação de fontes de energia. Christine Lagarde acrescentou que o conflito deve levar os países a considerarem a segurança como fator mais importante para a política energética, não mais a eficiência. A dirigente ressaltou ainda que a crise geopolítica também deve mudar a matriz energética para uma dependência menor de combustíveis fósseis.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

Sair da versão mobile
agora
Plantão CGN
X