Em dia de liquidez reduzida, dólar sobe 0,33% com ajustes e ruído político

Com uma arrancada na reta final do pregão, quando correu até a máxima de R$ 4,7561, a moeda encerrou o dia cotada a R$ 4,7536, alta...

Publicado em

Por Agência Estado

Apesar da onda de enfraquecimento da moeda norte-americana no exterior e da valorização das commodities, o real não encontrou forças para nova rodada de apreciação nesta segunda-feira, 30. O dólar até chegou a cair nas primeiras horas de negociação, rompendo o piso de R$ 4,70 na mínima (R$ 4,6911), mas retomou fôlego ainda pela manhã e passou a maior parte da tarde entre estabilidade e leve alta.

Com uma arrancada na reta final do pregão, quando correu até a máxima de R$ 4,7561, a moeda encerrou o dia cotada a R$ 4,7536, alta de 0,33%. Pesaram sobre o mercado de câmbio local o tom negativo do Ibovespa, abalado pelo tombo das ações de Petrobras e já de olho na corrida presidencial, e ajustes técnicos no mercado futuro na véspera da formação da última Ptax de maio.

Operadores ressaltam que a liquidez foi bastante reduzida, em razão da ausência de negócios nas Bolsas em Nova York e no mercado de renda fixa americano, fechados em conta do feriado de Memorial Day nos Estados Unidos. O contrato de dólar futuro para junho, principal termômetro do apetite dos investidores, girou menos de US$ 8 bilhões. Além disso, o dólar vem de duas semanas seguidas de queda (quando passou desceu do patamar de R$ 5,05 para perto do piso de R$ 4,70) e era de se esperar que houvesse uma pausa para ajuste de posições.

No exterior, a moeda norte-americana caiu em bloco frente a divisas emergentes e de países exportadores de commodities, favorecidas pelo anúncio de relaxamento de medidas restritivas de combate à covid-19 em Pequim e Xangai, na China. O índice DXY – que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes – trabalhou em queda ao longo de todo pregão e recuava 0,32%, aos 101,337 pontos, quando o mercado local fechou.

O principal ganhador foi o euro, após a inflação na Alemanha reforçar a aposta em alta de juros na zona do euro no início do segundo semestre. A taxa anualizada do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) acelerou de 7,4% em abril para 7,9% em maio, acima das expectativas (7,5%). Na Espanha, a inflação anual acelerou 8,5% em maio, enquanto a previsão de economistas (+8,1%). O economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), Philip Lane, defendeu altas seguidas da taxa básica em 25 pontos-base em julho e setembro.

“Com o euro mais forte e as sinalizações do BCE, a moeda americana caiu bastante lá fora. O dólar acompanhou esse movimento aqui no início da manhã e chegou até R$ 4,69”, afirma o analista de câmbio da corretora Ourominas, Elson Gusmão. “O dólar acabou subindo um pouco depois, mas a liquidez está muito baixa. Já começou também a disputa entre ‘comprados’ e ‘vendidos’ pela formação da Ptax.”

O gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, observa que, com que a liquidez reduzida, operações pontuais tem mais peso na formação da taxa de câmbio e, dada a queda recente do dólar, a alta desta segunda é bem comedida. Galhardo nota que, com o aumento dos ruídos políticos diante de ataques do presidente Jair Bolsonaro e do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva à política de preços da Petrobras, é natural o mercado fique mais arisco e busque proteção hedge.

Pesquisa eleitoral FSB/BTG Pactual divulgada nesta segunda-feira confirmou o crescimento das intenções de voto do ex-presidente Lula apontada na semana passada pelo Datafolha. Segundo o levantamento, na simulação para o primeiro turno, Lula sobe de 41% para 46%, Bolsonaro permanece com 32%, Ciro Gomes continua com 9% e a pré-candidata do MDB, Simone Tebet, passa de 1% pra 2%. Caso a eleição fosse hoje, Lula teria chances de ter a maioria dos votos válidos e liquidar o pleito já no primeiro turno.

Nas mesas de operação, comentou-se que “players” estavam posicionados em ações de estatais na expectativa de que Bolsonaro pudesse recuperar terreno nas pesquisas eleitorais. Com o avanço do ex-presidente, houve liquidação de posições e busca de hedge no câmbio. Lula já disse que pretende mudar a política de preços da Petrobras, que também é alvo de críticas frequentes de Bolsonaro.

“Essa questão política acaba pesando um pouco. Cada pesquisa agora tende ter algum impacto no mercado. Mas o dólar ainda tem espaço para cair mais e até buscar os R$ 4,50 com o quadro externo mais favorável”, diz Galhardo, ressaltando que o mercado parece mais confortável com o plano de voo traçado pelo Federal Reserve, de mais duas altas de 50 pontos-base na taxa básica americana. “Já se vislumbra uma alta de juros mais comedida nos Estados Unidos. E na Europa deve começar com 0,25 ponto e só no segundo semestre.”

Em evento nesta segunda-feira, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Bruno Serra, afirmou que a moeda brasileira tem sido destaque positivo desde a virada do ano, em meio a mudanças como a entrada do juro real doméstico em campo restritivo e o fim do overhedge dos bancos e do endividamento de exportadores. Segundo Serra, em “três ou quatro meses”, a valorização do real deve se fazer sentir nos números de inflação. A taxa Selic, hoje em 12,75% ao ano, deve ficar acima de 13% por um período específico para desinflacionar a economia, disse o diretor.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

Sair da versão mobile
agora
Plantão CGN
X