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Morte precoce de Fernando Mayer gera alerta sobre doença silenciosa

Padeiro morreu aos 39 anos; pessoas nesta faixa etária podem não ter recebido a vacina e estão mais expostas......

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Por Mariana Lioto

Na semana passada a CGN noticiou a morte de Fernando Mayer, aos 39 anos. A situação pegou muita gente que o conhecia de surpresa, afinal, até poucas semanas ele aparentava estar muito bem de saúde. A doença que matou Fernando foi a hepatite. Os médicos acreditam ele tinha a doença há pelo menos 20 anos, sem nunca ter descoberto.

A irmã, Elenice Mayer conta que Fernando nunca teve nenhum problema grave de saúde e justamente por trabalhar muito não tinha o hábito de fazer exames preventivos, de rotina.

“Ele começou a trabalhar com 13 anos, no antigo mercado Rimafra, como aprendiz. Foi ali que ele aprendeu o ofício de padeiro, profissão que tinha muito amor e levou pela vida toda”.

Mais tarde Fernando foi trabalhar na Padaria Seven, no Consolata, e há cerca de 11 anos ele mesmo começou a tocar a padaria, trabalho que começava sempre antes do sol nascer.

“Foi uma doença muito silenciosa. Apesar de os médicos acharem que ele tinha hepatite B há muito tempo ele não sentia dor. Há pouco mais de um mês ele começou a ficar amarelo, inchado e insistimos muito para ele ir ao médico. Na terça-feira da semana passada ele foi internado e o médico falou que a hepatite evoluiu para cirrose”.

Fernando foi levado da UPA para o HU, mas acabou falecendo na madrugada de sexta-feira (25). A família chegou a enfrentar comentários maldosos devido à de cirrose, que muitas vezes é associada ao abuso do consumo de bebida alcoólica. No caso de Fernando, no entanto, a cirrose foi uma evolução da hepatite B, e não tinha ligação com a bebida.

A hepatite

A Hepatite é uma inflamação no fígado que pode ter várias causas. As hepatites virais (B e C) são as mais graves, pois se tornam doenças crônicas.

No caso delas a transmissão de dá por relação sexual ou contato com objetos como lamina de barbear ou alicate de cutícula contaminados. Trata-se de um vírus muito resistente, então pode permanecer em uma lâmina mesmo sem a presença de sangue, por exemplo.

A coordenadora do Cedip, Josana Dranka, comenta que o público acima de 30 anos é o que tem mais risco. Há alguns anos existe vacina para hepetatite B, inclusive para adultos, mas como ela foi implantada na rede pública mais recentemente, muitos não foram imunizados quando crianças e depois não receberam a dose.

“Muita gente tem o vírus e não sabe. Quando o sintoma do cansaço e amarelão aparece o estágio já é avançado. É o fígado sofrendo há anos com a doença e chegando a uma situação crítica, a ponto de não haver mais o que fazer. É uma pena que quem trabalha muito, acaba deixando de cuidar da saúde”.

Um trabalhador

A irmã se emociona contando que ela e os irmãos foram criados na parte mais pobre do Interlagos e nunca se envolveram com crime ou comportamentos errados.

Fernando era o filho mais velho e, com os pais divorciados, ajudou a criar os cinco irmãos. Ele deixa três filhos, com 22, 16 e 6 anos.

 “Esperamos que vendo o caso dele os homens que se cuidam tão pouco procurem o médico. Seria uma doença com tratamento, mas como ele nunca doou sangue ou fez exames, nunca descobriu”, destaca Elenice.

A mãe, Rosalina Nogueira Padilha, de 63 anos, tenta encontrar forças diante da partida do filho que sempre a ajudou em tudo.

“Eu me criei na roça, com rigor e sem estudo. Quando me separei fiquei com quatro crianças. Ele era o mais velho e trabalhou desde cedo para me ajudar. Depois que ele comprou a padaria eu fui trabalhar com ele e ele sempre me queria por perto, parece que ele sabia que iria partir cedo”.

Procure o diagnóstico!

A hepatite pode ser diagnosticada em exames de sangue e sorologia. Além das unidades de saúde, é possível fazer o teste rápido no Cedip, com o resultado em poucos minutos.

A testagem rápida no Cedip é feita de segunda a quarta-feira até as 12 horas e na quinta-feira até as 17 horas.

O Cedip fica na Rua Cuiabá, 2340, no Ciro Nardi. Informações pelo telefone 3392-6420.

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