Imperatriz, Mangueira, Viradouro e Beija-Flor brilham na 1ª noite na Sapucaí

A Marquês de Sapucaí ontem teve tudo que todo desfile tem: escola de samba que deu show e está credenciada a disputar o título, como Imperatriz,...

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Por Agência Estado

A primeira noite de desfiles das principais escolas de samba do Rio de Janeiro, que começou pontualmente às 22h de sexta-feira, 22, e seguiu até 5h45 de sábado, 23, mostrou que a vida está mesmo voltando ao normal.

A Marquês de Sapucaí ontem teve tudo que todo desfile tem: escola de samba que deu show e está credenciada a disputar o título, como Imperatriz, Mangueira, Viradouro e Beija-Flor; escola que precisou correr para não estourar o tempo-limite de desfile (o que causa perda de pontos), como o Salgueiro; carro alegórico com dificuldade para entrar na avenida (São Clemente); festa permanente no setor 1, o mais popular e localizado em frente à concentração das escolas; gente que pagou quase R$ 2 mil por um ingresso de camarote e se julgou no direito de invadir a pista no meio dos desfiles, e teve ainda gente aparentemente embriagada brigando com segurança.

A primeira escola a desfilar foi a Imperatriz, que homenageou Arlindo Rodrigues (1931-1987), cenógrafo, figurinista e carnavalesco responsável pelos dois primeiros títulos da Imperatriz, em 1980 e 1981. O enredo coube à carnavalesca Rosa Magalhães, subordinada a Rodrigues quando começou a carreira no universo do samba, como figurinista do Salgueiro, em 1971.

Antes de chegar à Imperatriz, Rodrigues fez desfiles memoráveis pelo Salgueiro, onde foi cinco vezes campeão (1960, 1963, 1965, 1969 e 1971), e pela Mocidade Independente, onde venceu um desfile em 1979. Por isso, o enredo da Imperatriz foi uma revisita aos desfiles dessas escolas, retratados em muitas alas e mesmo em carros alegóricos, todos muito luxuosos. Ao final, a escola exaltou os dois títulos conquistados pelo homenageado na própria Imperatriz. Rebaixada em 2019 e vencedora da segunda divisão em 2020, a Imperatriz terminou o desfile deste ano aos gritos de “é campeã!”.

Mangueira homenageia Cartola, Jamelão e Delegado

A segunda escola a desfilar foi a Mangueira, que homenageou três ícones da própria escola: o compositor e fundador Cartola (1908-1980), o intérprete Jamelão (1913-2008) e o mestre-sala Delegado (1921-2012). Reconhecido pelos enredos de cunho social, o carnavalesco Leandro Vieira desta vez caprichou nos tons verde e rosa, predominantes em praticamente todas as alas.

Assim como a Imperatriz, a Mangueira exibiu fantasias e carros alegóricos luxuosos e com acabamento refinado. Uma das alegorias de destaque retratava Delegado como um dançarino de caixinha de música, com um mecanismo de dar corda grudado às costas.

Mas a escola levou um susto quando Marquinho ArtSamba, o intérprete da escola, passou mal e, aparentando estar sem ar, precisou se sentar e ser atendido pelos bombeiros. O problema ocorreu ainda na primeira metade do desfile, mas Marquinho atravessou a avenida sentado numa cadeira, no carro de som que acompanha a bateria. Como toda escola de samba, a Mangueira tem um grupo de intérpretes-assistentes, que entoaram o samba-enredo até o fim. ArtSamba foi retirado do carro de som de maca e levado a uma unidade de saúde – seu estado de saúde era estável, segundo a equipe médica que o atendeu.

Salgueiro leva Resistência para a Sapucaí

O Salgueiro foi a terceira escola a desfilar, com o enredo “Resistência”, que retratou locais do Rio de Janeiro que se tornaram símbolos do povo negro, como a Pequena África e a Praça XI, palco dos primeiros desfiles das escolas de samba. A partir dessa ideia, a escola mostrou a importância histórica dos negros e do combate ao racismo. O Salgueiro exibiu fantasias e alegorias luxuosas, mas teve problemas com o relógio: ao final, as alas tiveram que correr para não extrapolar o limite máximo de tempo para o desfile, de 70 minutos. A escola encerrou a exibição com exatos 70 minutos, sob correria, o que deve comprometer sua classificação no quesito evolução.

Na reta final, São Clemente, Viradouro e beija-flor

A quarta escola a se exibir foi a São Clemente, que homenageou o ator, autor e humorista Paulo Gustavo, morto em 2021 vítima da covid-19. Embora tenha emocionado o público (a mãe dele estava na comissão de frente), a escola teve problemas com um carro alegórico, o que comprometeu a evolução da escola.

A penúltima escola a desfilar na primeira noite foi a Unidos do Viradouro, de Niterói (Região Metropolitana do Rio), atual campeã do carnaval carioca. A escola reviveu o carnaval de 1919, o primeiro após a pandemia de gripe espanhola, que matou 35 mil pessoas no Brasil e que, antes da covid-19, era considerada a maior pandemia da história.

O samba tratava sobre uma fictícia carta de amor enviada por um pierrô a uma colombina, datada da quarta-feira de cinzas de 1919, e seu refrão empolgou o público. As alas retrataram fantasias usadas naquela época, especialmente – e como não poderia ser diferente – de pierrôs e colombinas.

A primeira noite de desfiles das escolas de samba do Rio foi encerrada pela Beija-Flor. Sempre vistosa e bem organizada, a escola exaltou os negros que classificou como “escondidos pela história” por conta do preconceito de cor. O desfile trouxe menções aos escritores Lima Barreto (1881-1922) e Carolina Maria de Jesus (1914-1977), o escritor, ator e dramaturgo Abdias do Nascimento (1914-2011) e personagens da própria escola, como Cabana, Joãosinho Trinta e Laíla.

A escola fez um desfile exuberante e, como de praxe, também é candidata ao título.

A segunda noite de desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro vai concentrar homenagens às religiões africanas, à cultura e a uma personalidade negra, além de retratar uma lenda indígena. Os desfiles começam às 22h deste sábado, 23, e devem se estender até por volta das 5h do domingo, 24.

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