A força das cirandas de Lia de Itamaracá é retratada em mostra no Itaú Cultural

Dividida em três eixos, Sal, Som e Sol, a mostra faz um retrato da vida e obra de Lia de Itamaracá. “O povo vai poder ver...

Publicado em

Por Agência Estado

Uma voz que leva a cultura popular para além de terras brasileiras. Cantora e compositora, dona Lia de Itamaracá se transformou em uma referência reconhecida nacionalmente ao interpretar cirandas, um ritmo que convida o público a entrar na roda e se divertir com as cantigas. Para homenagear a artista pernambucana, o Itaú Cultural realiza a mostra Ocupação Lia de Itamaracá, que ficará em cartaz até 11 de julho e contou com curadoria da cantora Alessandra Leão, da jornalista Michelle de Assumpção e da instituição. “Para mim é uma honra ter essa exposição, na qual o pessoal vai poder ver como é meu trabalho e como tudo se deu”, diz dona Lia, de 78 anos, ao Estadão.

Dividida em três eixos, Sal, Som e Sol, a mostra faz um retrato da vida e obra de Lia de Itamaracá. “O povo vai poder ver o material da Casa de Lia, vai ter roupas, vestidos, vídeos, CDs, livros e acessórios”, conta a homenageada, sobre o material que integra a mostra que veio de sua própria casa e do Centro Cultural Estrela de Lia, que foi criado para abrigar obras e trabalhos de sua trajetória.

A EXPOSIÇÃO

Ao percorrer o espaço expositivo, o público começa entrando na seção Sal, na qual há imagens diversas, além da parte audiovisual, que retratam a vida de dona Lia. Entre fotografias e telas, estão detalhes e objetos que fazem parte da trajetória da artista, além de curiosidades, como o certificado mostrando que Lia é descendente do povo djoula, da Guiné-Bissau.

Passando para o eixo Som, o tema aqui é a veia musical da homenageada. Será um mergulho na obra de Lia, que é conhecida como Rainha da Ciranda, título que deu nome a seu primeiro disco, lançado em 1977. O ritmo, aliás, foi reconhecido como Patrimônio Imaterial do Brasil, em agosto de 2021. E é aqui que a exposição revela a versatilidade de Lia de Itamaracá. Pois essa artista popular, com sua voz irradiante e sua dança que cativa, experimentou se apresentar, em 1988, no festival Abril Pro Rock. E agora, em seu trabalho mais recente, Ciranda Sem Fim, lançado em 2019, ela contou com produção do DJ Dolores. Trabalho bem-recebido pela crítica, e público, foi reconhecido e premiado pela APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte).

Chegando ao eixo Sol, o visitante vai conferir a real importância do trabalho de Lia de Itamaracá. Aqui, a ideia dos curadores foi dar visibilidade a tudo que ela conquistou com sua música. Mas também o que a fez ir além e ser convidada a integrar obras cinematográficas, como o filme Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, ser tema de bloco de rua paulista, em 2020, e ainda figurar na passarela da São Paulo Fashion Week (SPFW), na qual mostrou sua música no ano passado. E Lia também estará nas telas, pois gravou participação em uma série da Netflix, ainda sem mais informações.

“Lia de Itamaracá é uma potência, uma artista imensa, uma tradição viva, e isso nos motivou a dedicar esta 55ª edição da série Ocupação para que o público possa celebrar e mergulhar na trajetória e na obra dessa fundamental e importante artista para a música brasileira”, diz Andreia Schinasi, coordenadora do Núcleo de Música do Itaú Cultural, que integra a curadoria da mostra.

Mas Lia de Itamaracá estará lá não somente por ser o tema da exposição, ela também preparou algumas apresentações que prometem fazer o público entrar na roda da folia. A cirandeira vai fazer shows a partir de hoje, 21, até o dia 24 (6ª e sáb., 20h; 5ª e dom., 19h) e, na sequência, de 28/4 a 1º de maio (5ª a sáb., 20h; dom., 19h). Nos dias 22 e 29 haverá transmissão das apresentações pelo canal do YouTube do IC. E Lia avisa: o público que se prepare, pois “quem gosta de ciranda entra logo na roda”.

Para Lia de Itamaracá, que começou a se interessar pela ciranda ainda menina como ela conta, o ritmo é uma dança de roda que começa pelas crianças até chegar aos adultos. “A ciranda não tem preconceito, dança todo mundo e todos se dão as mãos”, explica. Esse caminho que escolheu seguir teve impulso nos anos 1960 com a música que ressoou pelo País na voz de Teca Calazans, nos versos, a saudação à cirandeira. “Eu estava na beira da praia / ouvindo as pancadas das águas do mar / Essa ciranda quem me deu foi Lia / que mora na Ilha de Itamaracá.”

Ocupação Lia de Itamaracá
Itaú Cultural. Av. Paulista, 149,
piso térreo, tel. (11) 2168-1777.
3ª a sáb., 11h/20h; dom. e fer., 11h/ 19h. Gratuito (necessário comprovante de vacinação). Até 11/7

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

Sair da versão mobile
agora
Plantão CGN
X