Juros caem mais com discurso do BC, apesar de IPCA-15 acima do consenso

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 fechou a sessão regular em 12,755%, de 12,846% no ajuste anterior, e a do...

Publicado em

Por Agência Estado

Os juros futuros voltaram a fechar a sessão em queda firme. O mercado relegou o IPCA-15 de março acima da mediana das estimativas e devolveu prêmios, ainda embalado pela sinalização do Banco Central de que pretende encerrar o ciclo de ajuste da Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em maio, e pela sequência de oito quedas seguidas do dólar ante o real.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 fechou a sessão regular em 12,755%, de 12,846% no ajuste anterior, e a do DI para janeiro de 2024 caiu de 12,301% para 12,08%. O DI para janeiro de 2025 encerrou com taxa de 11,46%, de 11,715%, e o DI para janeiro de 2027, com taxa de 11,375%, ante 11,55%.

A alta do IPCA-15 bem acima da mediana das estimativas não foi capaz de abalar a avaliação do mercado de que o ciclo da Selic não vai muito longe. O índice subiu 0,95%, contra mediana de 0,86%, e em 12 meses já chega a 10,79%. O mercado fez várias ponderações, entre elas a de que a pressão esteve concentrada em itens mais voláteis.

“Estruturalmente, com um IPCA-15 acumulado em 12 meses de 10,8%, não tem como afirmar que a divulgação foi benigna, mas é fundamental apontar que o avanço dos núcleos olhados pelo BC perdeu ímpeto”, avaliou o economista-chefe da Ativa Investimentos Étore Sanchez.

Assim, o mercado se apegou à ideia encampada pelo Banco Central de que a Selic está perto de níveis contracionistas o suficiente para fazer a inflação de 2023 convergir à meta de 3,25%. Os documentos do BC e declarações dadas na quinta pelo presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto, e pela diretora interina de Política Econômica, Fernanda Guardado, já haviam deixado claro que o plano de voo contempla apenas mais uma alta em maio, mas deixando espaço para aumentos adicionais se o cenário exigir.

Nesta sexta, Campos Neto, em evento realizado pelo banco central do Peru e pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS), voltou a reforçar que o BC se antecipou no movimento de aperto monetário e deve encerrar o ciclo com aumento de mais 1 ponto porcentual na Selic, para 12,75%. “Já fizemos a maior parte do serviço e precisamos esperar e ver os efeitos do que foi feito”, afirmou. E voltou a ponderar que, diante do ambiente de grande incerteza, a porta para junho ficou aberta.

O economista-chefe da Western Asset, Adauto Lima, diz que não é viável ficar revisando projeção de Selic a cada IPCA que sai. “Nos últimos meses, temos tido uma volatilidade gigantesca em alimentos e bens industriais. Enquanto o IPA não inverter, a inflação vai subir um pouco mais”, previu. “O BC disse que a Selic está chegando a um nível bem restritivo. Com um IPCA de 4% no ano que vem, o juro real ex-ante chegaria em 8%. É muito alto”, calcula o economista, para quem o Copom vai levar a Selic até 13,25%.

Nesse contexto, o efeito do discurso do BC é mais visível nos contratos intermediários, dado o raciocínio de que, findo o ciclo de contração monetária, a Selic ficará parada por algum tempo e depois volta a cair. “O mercado começa a arbitrar taxas”, explica Lima. Outro fator nada desprezível e que pode aliviar a inflação de médio prazo é o câmbio. O dólar fechou nesta sexta a R$ 4,7473, menor nível desde 11 de março de 2020.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

Sair da versão mobile
agora
Plantão CGN
X