Governo proíbe veiculação de filme; ‘inconstitucional’, dizem plataformas

Especialistas em Direito consultados pelo Estadão disseram que o ministério não tem competência para impedir a circulação de uma obra. Globoplay e Telecine afirmaram em nota...

Publicado em

Por Agência Estado

O Ministério da Justiça e Segurança Pública determinou que plataformas de streaming suspendam a exibição do filme Como se tornar o pior aluno da escola, baseado no livro homônimo do apresentador de TV e humorista Danilo Gentili. Em medida cautelar publicada no Diário Oficial da União desta segunda, 14, a pasta estabelece multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento da decisão. Foram citados na portaria Netflix, YouTube, Globoplay, Amazon Prime Video e Apple TV.

Especialistas em Direito consultados pelo Estadão disseram que o ministério não tem competência para impedir a circulação de uma obra. Globoplay e Telecine afirmaram em nota que a decisão “ofende o princípio da liberdade de expressão, é inconstitucional e, portanto, não pode ser cumprida”.

A medida foi tomada após o deputado Eduardo Bolsonaro (União Brasil-SP) compartilhar, neste domingo ,13, uma cena editada da obra alegando que ela faz “apologia à pedofilia”. O trecho mostra um personagem interpretado pelo ator Fábio Porchat tentando convencer dois adolescentes a fazerem sexo com ele. No filme, uma comédia, os garotos fogem do homem após o convite, mas essa parte foi cortada do vídeo publicado pelo parlamentar.

Horas depois da publicação do filho do presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, disse que pediria “providências” contra a obra. A portaria foi comemorada por ele, ontem, nas redes sociais. Torres argumentou que a decisão é “necessária proteção à criança e ao adolescente”.

“Não se trata de estar correta ou não a decisão. O Ministério não tem essa prerrogativa, não pode impedir a circulação de qualquer obra”, disse o advogado criminalista Franklin Gomes, mestre em Direito Penal e especialista em Processo Penal. “O máximo que ele pode é recomendar a classificação etária.”

O livro de Gentili foi lançado em 2009, com indicação para maiores de 18 anos. Já o longa, que estreou em 2017, recebeu classificação indicativa para espectadores acima de 14 anos. A indicação etária foi definida por uma comissão do próprio Ministério da Justiça, à época do lançamento nos cinemas, sustentando que a produção tinha “contexto cômico e caricato”, o que serviu de atenuante para a definição dos 14 anos como idade mínima.

‘Censura’

Ao Estadão, Porchat afirmou que seu personagem é retratado como o vilão da história e que não há a intenção de estimular a pedofilia. Gentili disse ser alvo de “censura e perseguição”.

Procurado, o Ministério da Justiça não havia se manifestado até a conclusão desta edição. A Netflix, que passou a oferecer o filme recentemente em seu catálogo, não respondeu aos contatos da reportagem. As demais plataformas também não se manifestaram até a conclusão desta edição.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

Sair da versão mobile
agora
Plantão CGN
X