Sem acesso a recurso público, 89% das empresas custeiam inovação

Mas a empresa enfrentou um problema comum para quem precisa investir na inovação de seu processo produtivo no Brasil. Todo o investimento em desenvolvimento do produto...

Publicado em

Por Agência Estado

A Montrel Tecnologia, empresa especializada em soluções para o setor de energia elétrica, vai dobrar sua área produtiva neste ano para atender à demanda por um equipamento inédito que detecta erros e fraudes em medidores. O sistema, 100% desenvolvido no País, é usado por grande parte das distribuidoras de energia e exportado para 12 países.

Mas a empresa enfrentou um problema comum para quem precisa investir na inovação de seu processo produtivo no Brasil. Todo o investimento em desenvolvimento do produto e na aquisição de nova área para a fábrica em Mogi Guaçu (SP) foi feito com recurso próprio, após várias tentativas frustradas de obter financiamento público. A empresa esbarrou em dificuldades como limites no teto do faturamento e burocracia nos programas para a área, explica Lucas Zancopé, gerente comercial da empresa.

Como a Montrel, que desembolsou cerca de R$ 5 milhões em seus projetos, 89% de um grupo de empresas ouvidas pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) também tiveram de custear programas de pesquisa e desenvolvimento em razão da dificuldade em acessar recursos públicos voltados à área de inovação.

CONTRAMÃO

O Brasil segue na contramão em relação a outras regiões, afirma Gianna Sagazio, diretora de Inovação da CNI. “Países mais inovadores e mais desenvolvidos facilitam o acesso a recursos para alavancar a inovação, que é o principal vetor de desenvolvimento do país e das suas empresas”, diz.

A CNI ouviu 196 empresas de vários setores, entre outubro de 2021 e fevereiro deste ano. Apenas 10% delas informaram ter utilizado recursos públicos para inovação.

O resultado completo da pesquisa será apresentado no 9.º Congresso Brasileiro de Inovação da Indústria, promovido em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). O evento ocorre hoje e amanhã no WTC, em São Paulo, e é aberto a todos os interessados por meio de inscrições.

“A área de inovação nunca foi prioridade no Brasil”, lamenta Gianna. Por outro lado, diz ela, a pesquisa indica que aumentou de 68% para 73% a fatia de empresas que desenvolveram produtos ou processos inovadores em 2020 no comparativo com o ano anterior. Boa parte dos investimentos foi para a formação de mão de obra especializada, outro gargalo do País.

A diretora da CNI afirma serem necessárias políticas públicas voltadas à pesquisa e desenvolvimento, assim como um marco regulatório, segurança jurídica e menor burocracia entre outras medidas.

Ela acredita, porém, que novos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, já anunciados, podem ajudar a mudar o quadro neste ano.

Outra empresa que usou recursos próprios inovação foi a Recigreen, de Itu (SP), que desenvolveu processo exclusivo para descontaminação de embalagens de cimento, argamassa, cal e gesso. Com isso, deve ampliar sua capacidade de 30 toneladas por mês para 100 toneladas.

Segundo Felipe Barbi, fundador da empresa, caso a Recigreen tivesse acesso a mais do que os R$ 500 mil investidos no projeto, seria possível processar mais do que isso.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

Sair da versão mobile
agora
Plantão CGN
X