Locutor é mantido por consórcio e não abandona bordão: ‘O meu, o nosso Pacaembu’

“O bordão continua. O Pacaembu continua sendo seu, meu e nosso. Ele abraça todo mundo, não dá para apagar a história. Só deixa de ser municipal,...

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Por Agência Estado

O Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho passará a ser administrado pelo consórcio Allegra, mas vai continuar sendo “o seu, o meu, o nosso Pacaembu”. O famoso bordão será mantido por Edson Sorriso, que permanece como locutor oficial do famoso estádio paulistano. Ele foi procurado pela empresa na semana passada e já prepara uma nova abertura para o jogo deste sábado, na final da Copa São Paulo de Futebol Júnior. A ideia é apresentar o projeto para o público.

“O bordão continua. O Pacaembu continua sendo seu, meu e nosso. Ele abraça todo mundo, não dá para apagar a história. Só deixa de ser municipal, porque está com a concessão. Vou tirar o ‘municipal’ da locução e criar uma chamada nova, até para dar moral para a empresa que está chegando”, afirmou Edson Sorriso, em entrevista concedida ao Estado no setor tobogã do Pacaembu.

Servidor público municipal desde 1985, ele virou o locutor do Pacaembu em 2011 por acaso. Vários funcionários fracassaram no teste para substituir o falecido Milton Silva Carvalho, o seu Milton. Por causa da voz conhecida no mundo do samba, Sorriso foi escolhido no improviso para fazer a locução em uma partida da seleção brasileira feminina. Ele trabalhava na vistoria das instalações do estádio até receber o chamado. “Sobe lá para fazer a locução do jogo”, pediu o coordenador do Pacaembu na época, Aléssio Gamberine.

Sorriso atendeu ao chamado do chefe e agradou. Ele disse que teve tremedeira nos primeiros jogos, mas foi se soltando aos poucos no microfone. O famoso bordão nasceu logo em seguida, quando a Arena Corinthians estava em construção. O clube alvinegro deixaria de ter o Pacaembu como sua casa para jogar no moderno estádio inaugurado em 2014.

“Falavam que o Pacaembu ia acabar sem o Corinthians, que ia virar um ‘elefante branco’. E eu sempre falei que o Pacaembu iria continuar, que tinha história e não ia sumir da memória do povo. Até que eu falei ‘o Pacaembu é meu, é seu, é nosso’. Só que achei que fui muito prepotente em falar ‘meu’ primeiro então inverti e comecei a falar do jeito que é hoje”, relembrou.

Não à toa Edson carrega o apelido dado em 1995 por frequentadores da escola de samba Vai-Vai. Ele não tira o sorriso do rosto nem ao ser questionado sobre a possibilidade de o Pacaembu ter menos jogos – e, consequentemente, sua renda ter um complemento menor com os trabalhos de locutor. Pelo contrário: esbanja otimismo ao falar sobre a nova fase do estádio.

“O brasileiro é resistente a mudanças, mas a vida é isso, uma consequência de mudanças. O Pacaembu não vai perder sua história e pode ganhar algo a mais agregando um novo trabalho neste patrimônio que já existe. Espero sempre coisas favoráveis”, afirmou Sorriso, que tem 59 anos, atualmente trabalha na subprefeitura do Butantã e também faz “bicos” como compositor e cantor.

A partir de sábado, o Pacaembu deixará de ser administrado pela Prefeitura de São Paulo e ficará sob responsabilidade do consórcio Allegra, que pagou R$ 115 milhões pelo direito de gerir o local pelos próximos 35 anos.

Uma das principais alterações previstas no tradicional palco esportivo da cidade é a demolição do tobogã, arquibancada inaugurada no início da década de 1970. No seu lugar será erguido um prédio de cinco andares, com 44 mil metros quadrados de área construída. A Praça Charles Miller e o Museu do Futebol ficaram de fora da concessão.

Enquanto as obras não começam, o consórcio e os clubes negociam como serão as partidas no Pacaembu. Quando um time jogar no estádio, a empresa pretende alugar apenas o campo e ficar responsável por toda a infraestrutura, faturando com os serviços no local. A intenção da Allegra, ao alugar o Pacaembu, é manter valores próximos ao que já eram cobrados pela Prefeitura, cerca de R$ 80 mil para jogos diurnos e R$ 100 mil para partidas noturnas.

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