MPSC ingressa com ação para suspender audiências públicas simultâneas do Plano Diretor de Florianópolis

A ação foi ajuizada pela 28ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital na tarde desta terça-feira (11/1) na 3ª Vara da Fazenda Pública, sustentando que a realização simultânea......

Publicado em

Por Ministério Público de Santa Catarina

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) ingressou com uma ação cautelar com o objetivo de suspender as treze reuniões distritais e, por consequência, a reunião final do processo de participação popular do Plano Diretor. As reuniões distritais foram marcadas em duas etapas, uma presencial, para o próximo sábado (15/1), e outra por videoconferência para o sábado seguinte (22/1). A Justiça ainda não deliberou sobre o pedido do Ministério Público. 

A ação foi ajuizada pela 28ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital na tarde desta terça-feira (11/1) na 3ª Vara da Fazenda Pública, sustentando que a realização simultânea dos treze atos públicos inviabiliza a ampla participação popular prevista pela constituição e pelo Estatuto da Cidade para a revisão da legislação relativa ao Plano Diretor do Município.  

De acordo com a Promotora de Justiça Henriqueta Scharf Vieira, a realização simultânea das audiências públicas distritais fere a participação da população no processo de revisão do Plano Diretor, já que impede a presença dos cidadãos – florianopolitanos ou não – em mais de um ato, caso queiram participar em mais de um distrito.  

“Em Florianópolis, aliás, não é raro que pessoas tenham, por exemplo, casa de veraneio, o que poderia acarretar no interesse em participar dos debates nos locais de suas posses”, completa, acrescentando que a participação da população, além de legalmente exigível, é de fundamental importância para a gestão democrática da cidade, na medida em que é ela quem vai sofrer os impactos das mudanças propostas.  

“Apenas para exemplificar sua importância em parte das mudanças propostas pelo executivo, mas sem adentrar no mérito propriamente dito, é possível que haja significativo adensamento populacional em alguns bairros da cidade, passando a ser permitido edifícios de dezesseis ou de oito pavimentos em locais onde era possível somente dois”, argumenta a Promotora de Justiça. 

O Ministério Público acrescenta, ainda, que a primeira rodada das reuniões de forma presencial no próximo sábado não é recomendável diante do quadro de propagação da covid-19, que já resultou, por exemplo, no cancelamento da queima de fogos da virada de ano e do carnaval da cidade. 

Entenda o caso  

O Município de Florianópolis deflagrou procedimento administrativo de revisão do Plano Diretor instituído pela Lei Complementar Municipal n. 482, de 2014, promovendo a realização de audiência pública no dia 17 de dezembro de 2021. Porém o Ministério Público do Estado de Santa Catarina recomendou ao Município que garantisse a participação da população e de associações representativas dos vários segmentos da comunidade no processo, mediante a promoção de audiências públicas e debates, especialmente a realização de treze audiências distritais e uma audiência geral. (Veja aqui). 

Realizada a audiência pública antes citada, em 28 de dezembro de 2021, o requerido informou que acataria a recomendação do Ministério Público, realizando as treze audiências distritais e uma audiência geral referidas no documento ministerial.  

Ao acolher a recomendação, o Município de Florianópolis designou todas as audiências públicas distritais presenciais para o mesmo dia: 15 de janeiro de 2022 – com início previsto para as 16h e encerramento às 20h. Também foi definida a realização de outras 13 audiências públicas distritais em formato totalmente eletrônico em 22 de janeiro, no mesmo horário. Para encerrar o ciclo, está prevista uma audiência pública geral final para 24 de janeiro. 

“Com a aproximação das datas previstas para a realização das audiências públicas distritais simultâneas nos dias 15 e 22 de janeiro de 2022, não resta alternativa ao Ministério Público senão o manejo da presente ação cautelar visando impedir sua realização, já que não garantem a possibilidade de participação da população e de associações representativas dos vários segmentos da comunidade”, conclui a Promotora de Justiça. 

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

Sair da versão mobile
agora
Plantão CGN
X