AMP

‘Uso de indenização pelo Tesouro é difuso’

Hoje, a Lei de Ação Civil Pública prevê que danos causados por empresas devem ser reparados no local onde a companhia multada atua. A medida provisória...

Publicado em

Por Agência Estado

O procurador-geral do Trabalho, Alberto Balazeiro, critica a mudança da destinação de indenizações trabalhistas de projetos locais para o caixa do Tesouro Nacional prevista na medida provisória que criou o novo programa de emprego do governo, batizado de Verde Amarelo.

Hoje, a Lei de Ação Civil Pública prevê que danos causados por empresas devem ser reparados no local onde a companhia multada atua. A medida provisória altera esse ponto e redireciona os recursos firmados por meio de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre empresas e o Ministério Público do Trabalho para a União. “Quando o recurso vai para o Tesouro, a aplicação é difusa. Isso viola o objetivo do TAC, que é dar visibilidade à contrapartida. Como a MP propõe, a indenização de um caso de trabalho escravo irá para outra área ou servirá para reduzir o déficit fiscal do governo”, critica Balazeiro, em entrevista exclusiva ao jornal O Estado de São Paulo/Broadcast.

Como o sr. analisa o Programa Verde Amarelo, lançado para incentivar a contratação de jovens?
A MP 905 tem sido muito debatida pelo MPT (Ministério Público do Trabalho). Em primeiro lugar, compreendemos as iniciativas governamentais de estímulo ao emprego. Diversos governos anteriores também lançaram iniciativas para estimular o primeiro emprego, nesse caso de 18 a 29 anos. Mas entendemos que há equívocos na MP.

Quais?
O maior problema que vemos na MP é que, dos 53 artigos, apenas 19 tratam do primeiro emprego e os demais tratam de outros assuntos. São iniciativas que não caberiam no espectro da MP que exigiria urgência e relevância. Há dois artigos que tratam do MPT. Um deles trata das destinações dos termos de ajustamento de conduta (TACs), que até preocupa bastante os governadores. A Lei de Ação Civil Pública prevê que os danos devem ser reparados no local, de maneira proporcional. Já a MP pega os recursos do TAC e impõe que sejam pagos como multa ao caixa único do Tesouro Nacional. Os empregadores têm interesse de pagar com a destinação de bens, como a compra de viaturas, ou o plantio de árvores em caso de dano ambiental. Quando o recurso vai para o Tesouro, a aplicação é difusa. Isso viola o objetivo do TAC, que é dar visibilidade à contrapartida. Como a MP propõe, a indenização de um caso de trabalho escravo irá para outra área ou servirá para reduzir o déficit fiscal do governo.

Qual é o potencial de recursos que esses TACs envolvem?
É uma apuração complexa, que varia muito de caso a caso. Mas acreditamos que são valores relevantes. Tem muita coisa aplicada. Havia muita destinação para o Fundo de Amparo ao Trabalhador, mas a sociedade não percebia esse ganho. Então diminuiu essa destinação. Como exemplos de destinações relevantes podemos citar o Hospital do Câncer de Barretos (SP) e o Barco Hospital Papa Francisco, que está rodando no Norte do País. Ambos os casos vieram da atuação no processo trabalhista Shell/Basf. O MPT não tem nenhum ganho de orçamento com isso, trata-se de um benefício direto para a sociedade. Destinar os recursos para o Tesouro prejudica a sociedade e o empregador.

Como está o diálogo do MPT com os parlamentares para tentar reverter esse artigo?
Tenho feito uma política de abertura da instituição. Estive com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Conversei com o secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Rogério Marinho. Estivemos com o relator e o presidente da comissão da MP 905. Foram cerca de 2 mil emendas, o que é um recorde para qualquer MP. E tem mais de 200 emendas suprimindo o artigo que muda a destinação dos recursos dos TACs.

Que outros pontos da MP teriam ‘equívocos’?
Temos uma preocupação em relação à redução da multa do FGTS de 40% para 20% já na contratação. A multa de 40% é constitucional, então não poderia ser reduzida por MP. A reforma trabalhista permite reduzir a multa do FGTS para 20%, mas em caso de acordo. Outro aspecto que preocupa é o parcelamento do 13º salário nos 12 salários anuais. O objetivo do 13º é ter um bônus anual. Se ele é parcelado, perde o objetivo. A ideia do primeiro emprego é ser o primeiro, e não o único.

Tanto o presidente Bolsonaro, quanto o ministro da Economia, Paulo Guedes, já disseram ser melhor “ter mais empregos e menos direitos”. O senhor concorda com essa visão?
Acredito que não são coisas que competem entre si. Acho até que houve um equívoco na interpretação. O que se quis dizer é que haverá uma temporalidade para estimular o emprego, reduzindo encargos. Não há essa competição. O que me parece que o governo quis traduzir é que há uma iniciativa para começar a gerar empregos em uma determinada faixa, eu fujo um pouco desse debate, e acho que o Congresso também vai nessa tônica.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

Sair da versão mobile
agora
Plantão CGN
X