
Psicanalista avalia relação entre docentes e alunos após vídeo de professora em surto em Cascavel
O Filósofo e Psicanalista, professor Anderson Dias, falou sobre os problemas de comportamento e condições de estresse que os professores são submetidos....
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Por Deyvid Alan
Na última quinta-feira (11) um vídeo divulgado por alunos ganhou grande repercussão após a professora de um colégio de Cascavel ter ameaçado um aluno.
Nas imagens gravadas pelos próprios acadêmicos dentro de sala, a professora chamava atenção de um aluno e dizia que estava tratando de uma depressão que se batesse ou matasse ele, teria um laudo médico.
A situação chamou muito a atenção da comunidade e dividiu opiniões quanto a atitude da professora e também qual teria sido a atitude do aluno para que a professora chegasse a tal ponto.
Na sexta-feira (12) a mãe do aluno também conversou com a CGN dizendo que entendia a situação que a professora estava enfrentando, mas questionava ação do colégio e também se a professora estaria preparada para retornar a sala de aula.
A direção do colégio por sua vez disse que o aluno tinha problemas de comportamento e reuniões foram feitas na tentativa de solucionar o caso.
Segundo relatos de outros professores, a docente que apareceu no vídeo estaria passando por problemas emocionais após a perda de um familiar que morreu de Covid-19.
Opiniões divergentes
Com opiniões distintas muitas pessoas defenderam a professora argumentando o fato de quê tais profissionais estão expostos as situações de muito estresse lidando com adolescentes em período de formação, defenderam aluno pontuando que nada justificaria a situação de ameaça contra o adolescente.
Mas você já parou para pensar quais as condições a que estão submetidos os professores do nosso país?
Após a divulgação dos vídeos, diversos profissionais da educação e muitas pessoas da comunidade em geral se manifestaram em comentários nas redes sociais e saíram em defesa da professora.
Grande parte das colocações apresentadas apontavam para a dificuldade e o desafio que os professores enfrentam em sala de aula, perpassando por questões de valorização profissional, condições oferecidas pelo Estado, além do perfil dos alunos que frequentam a escola, que muitas vezes não possuem estrutura familiar que possa dar apoio ao docente para além dos muros da escola.
Em outros apontamentos citavam-se a quantidade de alunos em sala e outras imposições institucionais que ampliaram as atividades do docente para além do ensino, situações que na maioria das vezes, reverte-se em fadiga e cansaço do profissional.
Muitos questionaram também os problemas comportamentais e de indisciplina dos alunos e apontaram também as frequentes brigas entre adolescentes que estão sendo registradas nas saídas de colégios da cidade.
Análise profissional
A CGN conversou com o Psicanalista e Filósofo, professor Anderson Dias, que trouxe uma análise sobre o papel do docente e a relação entre aluno e professor pós-pandemia.
O professor destacou que os adolescentes estão cada vez mais agitados, avançados e estimulados pelas tecnologias, o que torna o desafio do docente ainda maior.
Ele ressaltou também que para o docente é extremamente importante cultivar hábitos e métodos constantes para a prevenção da saúde mental, já que estão frequentemente submetidos a um grande nível de estresse, situação que acaba por gerar um mal-estar no próprio exercício da profissão.
Anderson avaliou ainda que os profissionais precisam ser acompanhados e ter condições para que possam exercer a função com qualidade de vida.
Desafios do retorno às aulas presenciais
O filósofo trouxe à tona a dificuldade de readaptação de alunos e professores no período pós-pandemia e com o retorno das atividades presenciais.
Para Anderson, após a pandemia os alunos retornaram às salas de aula com mais dificuldades de adaptação, cumprimento de normas e regras, e que tais comportamentos acabam provocando inquietude nos professores que também estão passando por tal adaptação. No entanto ele ressaltou que as mudanças de comportamento não justificam a indisciplina por parte dos alunos.
Ele salientou que a pandemia pegou a todos de surpresa e que no campo educacional foi necessário desenvolver novos métodos para que o conhecimento chegasse ao aluno. Apesar de atender de certa forma a nova realidade, o profissional evidenciou que a escola cumpre um papel muito além do conhecimento científico, mas também de formação social, regras e comportamentos que são muito difíceis de se estimular a distância.
Vale lembrar que muito antes de ser um profissional, o professor nada mais é que um ser humano, um sujeito constituído de emoções, sentimentos e suscetível às condições adversas da vida como qualquer outra pessoa.
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