Taxas curtas de juros caem com varejo fraco e declarações de diretora do BC

Sobre os longos, continuou reverberando o efeito positivo da aprovação da PEC dos Precatórios, com melhora nas expectativas de tramitação no Senado. Além disso, o fato...

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Por Agência Estado

A quinta-feira foi de alívio nos prêmios de risco da curva de juros. A queda nas taxas curtas foi destaque em função dos ajustes na precificação de Selic, após a surpresa negativa com a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) e declarações da diretora de Assuntos Internacionais do Banco Central, Fernanda Guardado, reforçando a ideia de manutenção do ritmo de aperto de 1,5 ponto porcentual.

Sobre os longos, continuou reverberando o efeito positivo da aprovação da PEC dos Precatórios, com melhora nas expectativas de tramitação no Senado. Além disso, o fato de o mercado de Treasuries nesta quinta estar fechado contribuiu para evitar maior volatilidade, considerando a escalada dos yields nos últimos dias. No fechamento, porém, o recuo dos longos perdeu fôlego, com o mercado realizando lucros após quatro sessões seguidas de baixa neste trecho. Por fim, o Tesouro elevou os lotes de prefixados no leilão de títulos, mas que ainda estão bem abaixo do padrão.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 fechou em 8,45% (regular e estendida), de 8,507% no ajuste anterior, e a do DI para janeiro de 2023 caiu de 12,216% para 11,96% (regular) e 11,955% (estendida). A do DI para janeiro de 2025 saiu de 11,835% no ajuste anterior para 11,79% (regular) e 11,75% (estendida). O DI para janeiro de 2027 encerrou com taxa de 11,69% (regular) 11,64% (estendida), de 11,673%.

Um dia após o IPCA de outubro superar o teto das estimativas, os dados do varejo decepcionaram ao mostrarem quedas nas vendas mais fortes do que a mediana das projeções, em setembro ante agosto. No conceito restrito, o recuo foi de 1,3% (mediana era de -0,6%) e no ampliado, de 1,1% (mediana zero). Com inflação surpreendendo para cima e a atividade, para baixo, o cenário de estagflação parece ganhar corpo, mas a tendência é que caminhe para uma recessão caso o Banco Central tenha de apertar muito o juro para recolocar a inflação na meta.

“Os números do varejo sugerem que o BC pode optar por um ciclo mais longo em vez de acelerar o ritmo de alta da Selic para 2 pontos. Mas no meio do caminho tem o risco de o Federal Reserve antecipar o aumento de juros”, afirmou o operador de renda fixa da Terra Investimentos Paulo Nepomuceno, destacando a trajetória altista da T-Note de dez anos. Nesta quinta, o mercado de Treasuries não funcionou por causa de feriado nos Estados Unidos.

A leitura do varejo provocou ajustes nas apostas de Selic para dezembro na curva e nas opções digitais na B3, com aumento da expectativa de manutenção do compasso de alta de 1,5 ponto, mas a de elevação de 2 pontos mantendo-se ainda como amplamente majoritária.

Durante participação em evento do Itaú, Fernanda Guardado mostrou confiança no plano de voo do BC para colocar a inflação de 2022 na meta de 3,5% e indicou que o ritmo de 1,5 ponto ainda está valendo, dado o conjunto de informações que a autoridade monetária tem atualmente. “Boa parte dos impactos de todo esse aperto que fizemos desde março e que sinalizamos para dezembro vai ocorrer ao longo de 2022 e em 2023, em parte”, completou.

Os longos ainda estiveram sob o impacto da PEC dos Precatórios durante boa parte do dia, mas na última hora da sessão regular o fôlego de baixa se esvaiu com ajustes técnicos de posição, com a inclinação negativa se acentuando bastante desde o fim da semana passada.

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