
“Parado, isso é um assalto”, diz frentista ao receber cascavelense em posto
Em Cascavel, o posto que nas últimas horas tem registrado o combustível pelo menor preço, está oferecendo o produto pelo valor de R$ 6,37....
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Por Deyvid Alan
Todo mundo concorda que a vida da maioria dos brasileiros não é nada fácil, mas convenhamos que nos últimos tempos “a vida” tá de parabéns e tem se superado.
Como se não bastasse os problemas da sociedade com furtos constantes, arrombamentos de lojas e residências, assaltos nos semáforos, a gente ainda precisa enfrentar o aperto para conseguir chegar no final do mês sem usar o cheque especial.
O problema é que está bem difícil isso não acontecer, já que se não somos assaltados por criminosos armados, acabamos sendo assaltados sob a mira da mangueira na mão do frentista. (Estou falando da mangueira da bomba do posto, ok?).
Não seria nada surpreendente que ao encostar o carro/moto nos postos, o frentista nos recebesse com o sorriso no rosto seguido da frase: “Parado, isso é um assalto”.
Poxa, meus queridos amigos frentistas, trabalhadores assíduos, sabem que estou brincando, pois obviamente também estão sendo afetados com a alta, quase que de hora em hora, nos preços dos combustíveis.
A Petrobrás divulgou ontem (25), mais um aumento nos preços na refinaria, o que sem dúvida alguma, será repassado aos consumidores que passa a valer a partir de hoje (26).
O preço médio de venda da gasolina A da Petrobras, para as distribuidoras, terá reajuste médio de R$ 0,21 por litro, passando de R$ 2,98 para R$ 3,19 por litro, que corresponde a uma alta de 7%. Nas bombas, essa mudança deve impactar em uma alta R$ 0,15 por litro, segundo a estatal.
Para o diesel A, o preço médio de venda da Petrobras para as distribuidoras passará de R$ 3,06 para R$ 3,34 por litro, refletindo reajuste médio de R$ 0,28 por litro. Nas bombas, essa variação deve refletir numa alta de R$ 0,24 por litro, o equivalente a 9,15%.
O comunicado desta segunda-feira vem 17 dias após o último reajuste anunciado pela companhia, em 8 de outubro, quando a gasolina foi reajustada em 7,19% e o gás de cozinha, em 7,22%.
Em Cascavel, segundo o aplicativo ‘Menor Preço’, que mostra para o consumidor o menor valor do produto de acordo com a última nota fiscal emitida no estabelecimento, postos já estão comercializando a gasolina pelo valor de RS 6,79.
O combustível está sendo ofertado em outros postos por R$ 6,75, R$ 6,72, R$ 6,68 apresentando pouca diferença entre a maioria dos estabelecimentos.
O posto que nas últimas horas tem registrado o combustível pelo menor preço, está oferecendo o produto pelo valor de R$ 6,37 variando até R$ 6,50 em 14 empresas.
Por favor, “vida”, dá uma trégua ou terei que escolher um assalto por mês nas ruas da cidade ou um roubo a cada dois dias nos postos de combustíveis!
O que diz o outro lado
Em nota enviada à CGN, o Paranapetro, Sindicato dos Revendedores de Combustíveis e Lojas de Conveniências do Estado do Paraná, disse que também são afetados e vítimas do aumento dos preços. Confira abaixo:
“Os aumentos dos preços de combustíveis, em Cascavel e em todo o Brasil, têm como grande causa a Petrobras e sua política de preços. A petrolífera decide e realiza as elevações e as mesmas são repassadas com agilidade pelas distribuidoras aos postos. Deste modo, entendemos que não é justo e apropriado associar a imagem de um “assalto” aos funcionários da revenda, pois esta imagem dá a entender que a responsabilidade dos expressivos aumentos é fruto da vontade dos postos, imputando a todo um segmento, de forma generalizada, uma imagem extremamente negativa e que não corresponde à realidade. Os preços altos prejudicam toda a economia e a sociedade, incluindo os postos. Os consumidores consomem menos e as vendas de combustíveis, abaladas pela pandemia, caem ainda mais. Cabe ressaltar que, do que se paga pelo combustível, quase metade é consumida por impostos (cerca de 40%), enquanto uma outra parcela muito grande, de em média 37%, fica com a Petrobras. A margem de lucro média dos postos costuma ficar em apenas 6%. Ou seja, se o consumidor abastece R$ 100, apenas R$ 6 (seis reais), em média, ficam com o posto. Deste modo, fica evidente que, se a ideia é associar os seguidos aumentos a um assalto, o mais apropriado seria identificar tal ato com a própria Petrobras, ou ainda com a alta carga tributária, e não com um segmento que também é vítima dos aumentos, e apenas repassa as elevações de preços que recebe. Entendemos que o debate democrático sobre os combustíveis é fundamental e deve dar espaço à liberdade de expressão, mas acreditamos também que é importante apontar com precisão os verdadeiros responsáveis pelas altas de preços”.
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