Celso de Mello: Bolsonaro precisa se convencer de que é súdito da Constituição

“Bolsonaro precisa convencer-se de que também ele é súdito das leis e da autoridade da Constituição (e de que não tem o direito nem o poder...

Publicado em

Por Agência Estado

A decisão do presidente Jair Bolsonaro de prestar depoimento presencial à Polícia Federal (PF) se antecipando a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) foi recebido pelo ex-ministro Celso de Mello, relator original do caso, como uma ‘rendição a contragosto’. O caso apura se o chefe do Executivo interferiu politicamente na atuação da corporação policial para proteger parentes e aliados.

“Bolsonaro precisa convencer-se de que também ele é súdito das leis e da autoridade da Constituição (e de que não tem o direito nem o poder de conspurcá-las e de transgredí-las), da mesma forma que qualquer outro cidadão desta República democrática”, escreveu ao Estadão. “Bolsonaro, a contragosto, rendeu-se à minha posição que, como antigo Relator do caso no Supremo Tribunal Federal, negou-lhe, corretamente, o direito (de todo inexistente) de responder ao seu interrogatório criminal por escrito”, pontuou.

Em setembro de 2020, Celso de Mello contrariou a posição defendida pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, ao determinar que Bolsonaro preste depoimento presencialmente à PF. A oitiva do presidente busca esclarecer as denúncias levantadas pelo ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro, que, ao desembarcar do governo, disse que o chefe do Executivo teria trocado superintendentes e pretendia nomear um novo diretor-geral para minar as investigações contra seus filhos e aliados.

À época, Celso de Mello autorizou Moro a enviar perguntas aos investigadores para serem feitas durante a coleta do depoimento. Contrariado com a decisão do ex-ministro, Bolsonaro manifestou que não seria ouvido pessoalmente e, em novembro do ano passado, informou ao Supremo que ‘declinava do meio de defesa’ que havia sido imposto.

Diante do impasse, o caso foi levado ao plenário pela primeira vez em outubro. A indefinição do método de coleta das declarações do presidente travou o andamento do inquérito por quase um ano. Em julho deste ano, o ministro Alexandre de Moraes, que herdou o caso de Celso de Mello, ordenou a retomada regular das investigações, mesmo que o plenário não tivesse decidido como Bolsonaro seria ouvido.

“Prevaleceu, desse modo, a minha decisão (extensamente fundamentada) de que ele, Bolsonaro na condição de investigado , não obstante o seu “status” de Presidente da República, tem que responder pessoalmente (e não por escrito) , como qualquer cidadão , ao seu interrogatório policial”, escreveu Celso de Mello ao Estadão repercutindo a decisão.

Para o ex-ministro, o teor da decisão adotada em setembro de 2020, endossada em julgamento no plenário do Supremo antes de se aposentar, demonstra a autoridade da Constituição, em vez do “interesse pessoal e particular do Chefe de Estado”. “Sempre sustentei essa posição, antes mesmo de Bolsonaro tornar-se presidente da República”, afirmou.

“Nada pode autorizar o desequilíbrio entre os cidadãos da República. Nada justifica a outorga de tratamento seletivo que vise a conceder determinados privilégios e favores a certos agentes públicos , atores políticos ou a determinados estamentos sociais , mesmo porque é a igualdade “o parágrafo régio” que deve sempre prevalecer , de modo soberano , no Estado democrático de Direito”, concluiu.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

Sair da versão mobile
agora
Plantão CGN
X