Informalidade avança no setor da economia criativa e cultura perde mais postos

A notícia ruim, no entanto, é que embora o setor esteja apresentando uma certa recuperação, a qualidade dos postos de trabalho criados neste segundo trimestre avaliado...

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Por Agência Estado

O Painel de Dados do Observatório Itaú Cultural, divulgado nesta terça-feira, 28, mostra que o setor de economia criativa começa a se recuperar, com a retomada das atividades e o avanço da vacinação, e volta a ficar perto do patamar de 2019. Foram criados 590 mil postos de trabalho no segundo trimestre de 2021, um crescimento de 9% comparado com o mesmo período de 2020. Com isso, há, hoje, 6,8 milhões de trabalhadores em atividade no setor. Em 2019, eram 6,9 milhões. Os dados são levantados a partir da Pnad Contínua.

A notícia ruim, no entanto, é que embora o setor esteja apresentando uma certa recuperação, a qualidade dos postos de trabalho criados neste segundo trimestre avaliado pela pesquisa é pior. Houve um crescimento de 19% no número de postos informais, ou seja, para trabalhadores sem carteira assinada e profissionais empregadores ou conta própria sem cadastro formal de CNPJ. Eram 2,2 milhões de trabalhadores nessas condições no ano passado. Hoje, eles são 2,6 milhões. Enquanto isso, o oferta de vagas formais cresceu apenas 4%, somando 4,1 milhões de trabalhadores com carteira assinada, servidores públicos e profissionais empregadores ou conta própria com cadastro formal de CNPJ.

Isso, avaliando o setor da economia criativa como um todo. Ao analisar apenas a área de cultura, os resultados ainda são sofríveis, com encolhimento no número de postos de trabalho. Segundo o levantamento do Observatório Itaú Cultural, no segundo trimestre de 2019, 765.821 trabalhadores especializados em cultura estavam empregados. No segundo trimestre de 2020, após uma queda de 15%, eles eram 650.557. No segundo trimestre deste ano, o número de postos registrou nova queda, de 7%, fechando o período em 605.459 postos disponíveis. Somando, desde o segundo trimestre de 2019, cultura perdeu 160.362 postos de trabalho.

De todas as áreas, artes cênicas e artes visuais tiveram um desempenho melhor e cresceram 13% em oferta de postos de trabalho, quando comparado com 2020, e 22% em relação ao primeiro trimestre de 2021. Em cinema, música, TV e rádio houve melhora frente ao primeiro trimestre deste ano – um crescimento de 17%. No entanto, comparado com o primeiro trimestre do ano passado, a queda foi de 14%.

Os demais estratos da economia criativa passaram melhor pelo período, com aumento de postos de trabalho entre o segundo trimestre de 2020 e o mesmo período deste ano. No geral, o número de postos para trabalhadores criativos especializados cresceu 24%. Para os incorporados (um designer que trabalha para a indústria automotiva, por exemplo) o avanço foi de 6%. Para trabalhadores de apoio (por exemplo, um contador que trabalha para a indústria criativa), o crescimento foi de 4%.

O segmento de tecnologia da informação foi o que mais criou postos de trabalho na economia criativa – uma tendência iniciada antes da pandemia, segundo o levantamento. Entre o segundo trimestre de 2020 e o mesmo período deste ano, foram abertos 232 mil postos para a atividade. Moda criou 198 mil postos e arquitetura, 43 mil. As atividades que mais perderam postos no período foram cinema, música, fotografia, rádio e TV, que chegaram a junho deste ano com 54 mil a menos do que o segundo trimestre de 2020. Já a publicidade perdeu 12 mil postos e museus e patrimônio, 8 mil.

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