Juros sobem com Treasuries, commodities e avanço do dólar

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 subiu de 8,969% no ajuste de sexta-feira para 9,04% e a do DI para...

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Por Agência Estado

Os juros futuros fecharam em alta nesta segunda-feira, principalmente nos trechos intermediário e longo, que subiram mais que a ponta curta, configurando aumento no nível de inclinação numa curva já bastante empinada. A exemplo dos últimos dias, as taxas continuaram alinhadas à escalada do rendimento dos Treasuries, em especial da T-Note, neste dia 27 com reforço da alta do dólar e das commodities, que alimentam as preocupações com os rumos da inflação. Não se descarta que a antecipação do anúncio, pelo Banco Central, na sexta à noite, dos leilões extra de contratos de swap cambial tradicional para suprir o overhedge tenha como pano de fundo o desconforto da autoridade monetária com o cenário de maior pressão sobre os preços e sobre a Selic.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 subiu de 8,969% no ajuste de sexta-feira para 9,04% e a do DI para janeiro de 2025 encerrou em 10,16%, de 10,055%. A taxa do DI para janeiro de 2027 terminou em 10,56%, de 10,453%.

A aversão ao risco prefixado responde a fatores externos e domésticos, num quadro de assimetria bastante negativa para posições vendidas. Profissionais na área de renda fixa destacam que as curvas em moeda local pelo mundo todo vêm abrindo depois que o Federal Reserve sinalizou que o tapering pode começar em novembro e o aperto nos juros americanos pode ter início no ano que vem, espelhadas na trajetória dos Treasuries.

O economista-chefe do Banco Original, Marco Antonio Caruso, destaca que hoje há pouquíssimos títulos no mundo fechando taxas, mas alerta também para a influência do câmbio e commodities sobre a curva brasileira. “Temos hoje essa puxada do dólar, petróleo e minério, esse kit inflação afetando o DI”, disse.

Os preços do petróleo subiram nesta segunda-feira perto de 2%, sendo que o barril do Brent superou os US$ 79 pela 1ª vez desde 2018. Com petróleo em alta, dólar acima de R$ 5,30, deterioração das estimativas de IPCA e Selic, chamou a atenção que o BC tenha antecipado para ainda no terceiro trimestre a realização dos leilões extras de swap para aplacar o impacto do overhedge sobre o mercado de câmbio. Em 2020, as operações foram realizadas somente no fim do ano. “O BC, historicamente, diz que uma coisa não tem a ver com a outra, mas o fato é que tudo entra no modelo”, diz Caruso, lembrando que no comunicado do Copom a mensagem foi de quem quer “acomodar o ritmo de alta da Selic”.

Nesse contexto, dada a pouca disposição do BC para acelerar o ritmo de aperto monetário, se os leilões extra conseguirem domar a taxa de câmbio – o que nesta segunda não aconteceu -, o BC ganha um aliado para melhorar as expectativas de inflação que cada vez mais parecem fora de controle. Na Pesquisa Focus desta segunda, subiram tanto a mediana de IPCA para 2021 (8,35% para 8,45%) quanto a de 2022 (4,10% para 4,12%). As expectativas para 2021 estão bem acima do teto da meta para este ano, de 5,25%, e as de 2022, além do centro da meta de 3,5%.

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