Juros sobem com reação negativa à reforma do Imposto de Renda

A maioria das taxas fechou a sessão regular nas máximas. A do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para 2027, referência entre os longos, voltou a encerrar...

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Por Agência Estado

As preocupações fiscais não dão trégua para a curva de juros e a ponta longa voltou subir nesta quinta-feira, refletindo a leitura negativa das votações no Congresso. Após a dupla derrota no Senado na quarta-feira, o governo não conseguiu no período da tarde desta quinta emplacar na votação dos destaques à reforma do Imposto de Renda (IR) na Câmara a proposta de taxação de dividendos de 20% defendida pelo ministro Paulo Guedes, que acabou sendo reduzida para 15%. A avaliação é de impacto negativo sobre a arrecadação, dado que a alíquota de cobrança do IR da Pessoa Jurídica já havia sido cortada. Ainda que em menor magnitude, as taxas curtas também subiram. A queda da produção industrial de julho maior do que a esperada não foi capaz de trazer alívio de prêmios nem de suavizar a apostas no orçamento da alta da Selic.

A maioria das taxas fechou a sessão regular nas máximas. A do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para 2027, referência entre os longos, voltou a encerrar nos dois dígitos, a 10,20% (máxima), de 9,974% no ajuste anterior. A do DI para janeiro de 2023 subiu de 8,53% para 8,665%, e a do DI para janeiro de 2022, de 6,825% para 6,86% (máxima). O DI para janeiro de 2025 terminou com taxa de 9,78% (máxima), de 9,565%.

O mercado já amanheceu azedo pelos eventos da quarta no Senado. A MP 1.045, da minirreforma trabalhista, não passou, inviabilizando as pretensões de Guedes e do ministro do Trabalho, Onyx Lorenzoni, que viam no projeto potencial de criação de ao menos 2 milhões de empregos. A proposta de limitação dos gastos com planos de saúde de estatais também foi rejeitada e pode travar a privatização dos Correios.

Além desses reveses do governo, o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Camargo Rosa, atribuiu o ganho de inclinação da curva nesta quinta também ao agravamento do quadro fiscal com a votação da reforma do IR, que deve resultar em expressiva perda de receita, num momento de elevada pressão para aumento de gastos. Além de o governo não conseguir emplacar os 20% para taxação de dividendos, haverá queda de arrecadação com a redução das alíquotas do IRPJ e com o fim da restrição ao uso do desconto simplificado na tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF). “Tudo isso ficou sem compensação do outro lado”, destacou o economista.

Os deputados encerraram a votação dos destaques no período da tarde e o texto segue agora para o Senado, onde pode ser ainda mais desfigurado na medida em que naquela Casa o governo tem maior rejeição.

Um dia após a decepção com o PIB do segundo trimestre, o IBGE informou nesta quinta que a produção industrial teve retração de 1,3% em julho na margem, refletindo a crise de oferta de insumos, recuo da demanda em meio ao desemprego e queda, inflação e redução no valor do auxílio emergencial. A queda foi maior do que previa a mediana das estimativas, negativa em 0,7%.

“É um cenário de estagflação”, pontuou Camargo Rosa, da SulAmérica. Para ele, apesar do resultado fraco da indústria, na curva prevalece a aposta de perpetuidade dos fatores que estão pressionando os preços. “Não alivia o ônus do BC. Agora é ver o quanto o PIB terá de ser sacrificado”, disse.

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