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Internacional

Com crise no setor petroleiro, países do Caribe abandonam chavismo na OEA

O apoio de países caribenhos a Nicolás Maduro, que já foi capaz de barrar medidas contra o chavismo na Organização dos Estados Americanos (OEA), não é mais o m...

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O apoio de países caribenhos a Nicolás Maduro, que já foi capaz de barrar medidas contra o chavismo na Organização dos Estados Americanos (OEA), não é mais o mesmo. O governo da Venezuela tem perdido a sustentação diplomática dos países que formavam a Petrocaribe em razão do colapso da indústria do petróleo do país.

A Venezuela investiu nas relações com países caribenhos por meio da Petrocaribe, criada na década de 2000. O chavismo irrigava com petróleo subsidiado nações da região e, em troca, recebia o apoio em debates na OEA. Mas, com a crise econômica e as sanções americanas, a produção venezuelana despencou - e os benefícios também.

As últimas três votações na OEA deixaram claro a mudança. Dos 14 membros da Petrocaribe - fora Venezuela e Cuba - 7 já condenam o regime chavista, engrossando a lista que conta com EUA, Canadá, Brasil e Colômbia.

Com base nas últimas votações, outros quatro países da Petrocaribe têm registrado ausências e abstenções. Apenas Dominica e São Vicente e Granadinas - junto com a Nicarágua - mantêm apoio incondicional ao chavismo. Bahamas, Suriname e Panamá oscilam nas votações.

Em 2017, o cenário era diferente. As votações que poderiam pressionar Maduro terminavam frustradas, com apenas 14 nações condenando o chavista. O número passava longe das exigências mínimas para aprovação de textos. Há casos em que é preciso o voto de dois terços dos 35 países.

"Em 2017, tivemos um choque, porque víamos a crise acontecendo, mas muitos países não queriam votar contra Maduro. Agora, quase sempre, consistentemente, há na faixa de 20 a 21 votos contra ele", afirma Fernando Cutz, ex-assessor da Casa Branca. Com a mudança no perfil dos caribenhos, a oposição venezuelana têm conquistado na OEA apoio que varia de 19 a 21 votos. "Os EUA têm conseguido tirar integrantes da Petrocaribe da órbita de Maduro", diz Benjamin Gedan, ex-diretor do Conselho de Segurança Nacional dos EUA e membro do Wilson Center. Os laços com os parceiros, no entanto, demoraram a se desatar.

"Surpreendentemente, Maduro manteve a lealdade de muitos da Petrocaribe, mesmo quando o colapso econômico minou os embarques de petróleo. A razão para a continuação do apoio é um mistério", afirma Gedan.

Para Cutz, dois motivos explicam o apoio: o temor de uma reação militar do chavismo contra países vizinhos à Venezuela, como Trinidad e Tobago e Guiana, e por afinidade ideológica, como no caso da Nicarágua. "Por último, acredito ainda que haja corrupção na hora do voto, porque o apoio a Maduro por parte de algumas ilhas pequenas não faz sentido", afirma.

Uma das suposições de Gedan é a de que Maduro estimule uma "rede de chantagem" para manter a lealdade dos caribenhos. "Afinal, os fundos sempre foram gerenciados com pouca transparência", afirma.

Nova York. O impasse com o bloco caribenho se refletiu na reunião dos signatários do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar) marcada para amanhã em Nova York, na véspera do começo da Assembleia-Geral da ONU. Também amanhã, integrantes do Grupo de Lima se encontrarão.

Nicolás Maduro afirmou que não viajará aos EUA, o que a oposição tem comemorado silenciosamente. Para o time do autoproclamado presidente interino, Juan Guaidó, este será um sinal de que o presidente venezuelano não confia no seu núcleo próximo e teme não conseguir voltar ao país caso embarque para Nova York.

Segundo apurou o Estado, países como Brasil e Colômbia devem propor sanções pessoais e econômicas ao regime. Atualmente, o País só admite sanções decorrentes de decisões do Conselho de Segurança da ONU, mas o Itamaraty tem discutido a possibilidade de usar uma deliberação do Tiar como marco jurídico para sanções.

Entre a oposição venezuelana e especialistas, há a avaliação de que os americanos já lançaram mão de praticamente todos os instrumentos de pressão econômica disponíveis e, agora, é preciso contar com protagonismo de países como Brasil e Colômbia. "Se só os EUA e Canadá aplicam sanções, é como um pai cortar a mesada do filho para estimulá-lo a trabalhar, mas o filho ainda receber mesada dos tios. Não adianta nada", afirmou um diplomata de Guaidó. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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