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Economia

Juros fecham em queda com decisões do BCE e sinais de alívio na tensão EUA-China

O apetite pelo risco despertado ainda pela manhã desta quinta-feira com as decisões do Banco Central Europeu (BCE), reforçado ao longo do pregão pelos sinais d...

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O apetite pelo risco despertado ainda pela manhã desta quinta-feira com as decisões do Banco Central Europeu (BCE), reforçado ao longo do pregão pelos sinais de alívio nas tensões comerciais entre a China e os Estados Unidos, manteve os juros, principalmente os longos, em baixa o dia todo. Tal cenário externo favoreceu ativos de economias emergentes, enfraquecendo o dólar ante o real e reduzindo os prêmios no trecho longo, mas as taxas curtas também cederam. Os números da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) de julho acima da mediana das estimativas não interferiram na percepção de que o Copom deve cortar a Selic para 5,5% na próxima semana, com espaço para ir a 5% no fim do ano ou até abaixo.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 encerrou a etapa regular em 5,265%, de 5,292% no ajuste de quarta, e a do DI para janeiro de 2021 terminou em 5,34% (mínima), de 5,378%. A taxa do DI para janeiro de 2023 recuou de 6,451% para 6,39% e a do janeiro de 2025 caiu de 7,001% para 6,95%.

Apesar da proximidade da decisão do Copom na semana que vem, o destaque da sessão foram os juros longos, em queda firme diante do contexto internacional favorável. Nos últimos dias, o mercado estava mais cauteloso sobre o quão "dovish" seria a decisão do BCE, que, contudo, não decepcionou. Além do corte de -0,4% para -0,5% na taxa de depósitos, a autoridade monetária anunciou um programa de recompra de títulos de 20 bilhões de euros ao mês a partir de novembro.

"De forma geral, Draghi (Mario Draghi, presidente do BCE) mostrou, mais uma vez, sua grande capacidade de contornar resistências e levar o BCE a continuar fazendo 'o que for necessário' para ajudar a sustentar o crescimento econômico e tentar levar a inflação de volta para a meta", disseram os analistas da MCM.

Na medida em que se acredita que outros bancos centrais irão no mesmo caminho de estímulos à liquidez, há melhora na perspectiva para a economia global, o que é positivo para os emergentes. Especialmente, se China e Estados Unidos chegarem a um consenso em suas relações comerciais, esperança que foi retomada nos últimos dias pela postura mais flexível apresentada por representantes de ambos os governos.

No Brasil, a precificação da curva a termo para a Selic no encontro do Copom dos dias 17 e 18 já aponta chance de 95% de queda de 0,5 ponto porcentual, segundo cálculos do Haitong Banco de Investimento, contra 5% de possibilidade de corte de 0,25 ponto.

A avaliação em relação ao plano de voo do Banco Central não mudou com os indicadores surpreendentemente positivos do varejo e serviços, na medida em que não há convicção de tendência firme de melhora de atividade para os próximos meses. "Os números dão a impressão que economia está retomando, de que há um respiro e num contexto sem pressão inflacionaria. Parece estar se formando um céu de brigadeiro para Copom cortar juros", afirma o estrategista de Mercados da Harrison Investimentos, Renan Sujii, lembrando que algumas instituições já preveem taxa básica de 4,75% no fim do ciclo.

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