AMP

Dentistas afirmam que laudo que ‘cortou’ adicional de periculosidade está equivocado

Para os dentistas, não ficou claro qual foi o critério para avaliação dos locais de trabalho......

Publicado em

Por Mariana Lioto

Os dentistas que atuam na prefeitura de Cascavel questionam o iminente corte em um adicional de periculosidade pago aos profissionais. Eles afirmam que o laudo feito pela prefeitura para fundamentar o corte tem equívocos e que não houve averiguação em cada local de trabalho.

A partir do próximo mês deve haver um corte que afetará adicionais de insalubridade e periculosidade pagos a dentistas e outros profissionais da saúde com estimativa de R$ 180 mil mensais de redução.

O município contratou uma empresa para avaliar a condição de trabalho, mas os dentistas afirmam que houve equívocos na realização. Segundo eles, a empresa não averiguou in loco as condições dos trabalhadores.

“Cerca de 100 dentistas perderão o adicional de Periculosidade, pago pelo manuseio do aparelho de Raios-x (emissor de radiação ionizante), instrumento esse primordial para diagnóstico odontológico e consequentemente melhor atendimento ao paciente”, diz nota emitida pelos profissionais.

Foram feitos contralaudos que atestavam a necessidade de pagamento da periculosidade, mesmo assim, o município optou por executar o Laudo da empresa Saudax, mesmo após cerca de 80 dentistas alegarem sequer terem sido entrevistados ou terem seus locais de trabalho inspecionados.

“A alegação foi de que o laudo da empresa Saudax teria sido feito por amostragem, onde um grupo de servidores seriam entrevistados e, após análise e cálculo amostral, os resultados poderiam ser extrapolados aos demais. Contudo, a contratação foi feita para avaliação de todos os serviços e não por amostras (com pagamentos de até R$ 1600,00 por UBS), demonstrando uma possível falha no cumprimento do objeto contratado na licitação, que tem sido ignorado pela Prefeitura”, dizem os dentistas.

Eles destacam que o serviço que realizam foi recentemente premiado pela qualidade.

Na justiça

O Sismuvel (Sindicato dos Servidores Municipais de Cascavel) pretende entrar na justiça, na próxima semana, com objetivo de impedir o corte do benefício. Eles afirmam que o laudo contratado pelo sindicato chegou à conclusão que nenhum servidor deveria perder o adicional.

“Uma assistente social, por exemplo, passa o dia recebendo pacientes. O motorista também tem contato com o paciente em ambiente fechado. Quem está no balcão da UPA recebe os pacientes que está tossindo, espirrando, todos estão expostos a doenças contagiosas. Basta lembrar do caso do ebola onde lacraram unidade”, afirma o presidente Ricieri D’Estefani Junior.

Eles afirmam que o contralaudo enviado não foi respondido detalhadamente, apenas  rejeitado. Para o Sismuvel não houve divulgação clara dos critérios usados pela prefeitura no laudo que decidiu por reduzir pagamentos.

“A amostragem é um processo científico, o que eles usaram, a intuição?”, questiona.

A prefeitura emitiu uma nota no final da tarde dizendo que não houve redução no número de servidores com o benefício. Segundo eles houve avaliação para chegar a quem realmente tem direito legal ao benefício.

Sobre a demanda específica dos dentistas, a prefeitura afirma que os fiscais de contrato dizem que a licitação e a execução foram seguidos à risca. “A análise mostrou que os dentistas têm direito à insalubridade e não periculosidade. É o cumprimento da lei, foram usados critérios técnicos”, diz o secretário Edson Zorek.

Veja, na íntegra, a nota emitida pelos dentistas

“No ano de 2018, após uma audiência pública realizada na câmara de vereadores na qual os cargos de Agentes Comunitários de Saúde e Endemias pleiteavam adicionais de insalubridade, foi definido que a Prefeitura Municipal de Cascavel-PR, contrataria uma empresa para execução de perícias para averiguar a insalubridade nas atividades laborais de tais cargos em questão.

Através do edital de licitação Número 065/2018, a prefeitura contratou uma empresa para avaliar as atividades laborais de todos os cargos da Secretaria de Saúde – Sesau e não somente os requisitados inicialmente. A empresa vencedora foi a Saudax de Guarapuava-PR, que recebeu R$ 95.000,00 para execução das avaliações em TODOS os serviços de saúde, conforme previsto em edital, com valores variando até R$ 1600,00 para cada UBS e locais de atendimento. No entanto, a execução do laudo teve alguns equívocos na sua realização, pois a empresa não compareceu em todos os serviços e muito menos averiguou in loco as condições dos trabalhadores. Cerca de 100 dentistas perderão o adicional de Periculosidade, pago pelo manuseio do aparelho de Raios-x (emissor de radiação ionizante), instrumento esse primordial para diagnóstico odontológico e consequentemente melhor atendimento ao paciente. Após questionamentos do Sismuvel, CRO-PR e Soepar a prefeitura solicitou contralaudos que mostrassem o direito ao pagamento do adicional, e o Conselho Regional de Odontologia do Paraná e Sismuvel realizaram dois contralaudos que contestavam o laudo da Saudax e que evidenciava a necessidade do pagamento do adicional. O prefeito em conjunto com sua assessoria jurídica, mesmo após ciência, optou por executar o Laudo da empresa Saudax, mesmo após cerca de 80 dentistas alegarem sequer terem sido entrevistados ou terem seus locais de trabalho inspecionados.

A alegação foi de que o laudo da empresa Saudax teria sido feito por amostragem, onde um grupo de servidores seriam entrevistados e, após análise e cálculo amostral, os resultados poderiam ser extrapolados aos demais. Contudo, a contratação foi feita para avaliação de todos os serviços e não por amostras (com pagamentos de até R$ 1600,00 por UBS), demonstrando uma possível falha no cumprimento do objeto contratado na licitação, que tem sido ignorado pela Prefeitura.

Os profissionais lesados prestam um atendimento de qualidade para a população, comprovado pelo prêmio de segundo lugar no Estado em qualidade de atendimento (recebido na última semana, em Curitiba, no dia 17/10/2019). Portanto, os dentistas vem através deste, mostrar seu descontentamento na forma como o caso está sendo conduzido, pois mesmo após desgastantes tentativas de diálogo junto ao executivo municipal, que foram informados sobre as incoerências na execução do laudo, fomos tratados com indiferença e desvalorização. É importante salientar, que esse corte gerará impactos pois a qualidade dos atendimentos será afetada, e o maior prejudicado será a população que usufrui do serviço prestado”.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

Sair da versão mobile
agora
Plantão CGN
X