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Economia

Juros sobem com avanço do dólar, tensão externa, Amazônia e BTG na Lava Jato

O recrudescimento das tensões comerciais entre a China e os Estados Unidos, que ajudou o dólar a fechar no maior patamar desde antes da eleição presidencial de...

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O recrudescimento das tensões comerciais entre a China e os Estados Unidos, que ajudou o dólar a fechar no maior patamar desde antes da eleição presidencial de outubro, a R$ 4,1246, juntamente a um contexto interno também negativo, ampliou à tarde a alta dos juros futuros. A pressão já era vista nas taxas pela manhã, mas limitada pela expectativa com o discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell. Porém, as considerações de Powell acabaram sendo ofuscadas pelas afirmações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que daria ainda nesta sexta uma resposta às retaliações anunciadas pela China de manhã, e um forte estresse se instalou nos mercados, ampliando a inclinação da curva.

Assim como nos últimos dias, apesar da alta das taxas, o mercado continua vendo um comportamento comedido da renda fixa diante do grau de nervosismo nos demais ativos, que gera aversão ao risco às moedas de economias emergentes, mas não afeta a curva com tanta intensidade. "Os juros estão bem comportados. Há um consenso sobre juros baixos no mundo, o que mantém aberta a janela de oportunidade para aplicar", afirmou Vitor Carvalho, sócio-gestor da LAIC-HFM.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 encerrou a sessão regular em 5,44%, de 5,378% no ajuste, e a do DI para janeiro de 2023 subiu de 6,371% para 6,44%. A do DI para janeiro de 2025 terminou em 6,94%, de 6,881%. Na semana, as principais taxas subiram em torno de 10 pontos-base.

Com o dólar a R$ 4,12, cresce o debate em relação ao risco de repasse aos preços e o quanto isso poderia interferir no ciclo de queda da Selic, na medida em que uma aceleração no ritmo de afrouxamento monetário poderia pressionar ainda mais o câmbio, e, consequentemente, elevar a inclinação da curva. Contudo, por ora, não parece haver ajuste em relação às apostas para a Selic. "Mas deveria. O mercado está minimizando os riscos. Mataram o pass through, mas tem muito produtor que importa e não se sabe até quando vai conseguir segurar preços", disse Carvalho. Nos cálculos da Quantitas Asset, a curva segue precificando cerca de 70% de chance de corte da Selic em 0,50 ponto porcentual na próxima reunião do Copom, em setembro.

De todo modo, a conjuntura, que vinha bastante positiva, também piorou. O ambiente é mais desconfortável, com as possíveis consequências econômicas das queimadas na Amazônia, em meio às ameaças de boicotes europeus a produtos brasileiros e risco para o acordo entre Mercosul e União Europeia. Além disso, há receios de que a Operação da Lava Jato envolvendo o BTG possa se desdobrar e atingir outros bancos, já que a investigação decorre do acordo de delação premiada do ex-ministro Antônio Palocci.

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